2011 ano de devolver o Bexiga à Cultura

Hoje termina o prazo de comodato dos terrenos vizinhos ao Teatro Oficina tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pertencentes ao Grupo Silvio Santos. Os terrenos estavam emprestados pelo grupo à Companhia Uzyna Uzona que realizou as Dionizíacas Sampã ali, no Teatro Extádio, entre os dias 17 e 23 de dezembro, para mais de 4000 pessoas.

No dia 29 de dezembro, dois dias antes do término desta primeira grande vitória da cultura sobre a especulação imobiliária, artistas da Companhia, num rito dedicado a Dionísio, que dedicou muito de seu trabalho ao Teatro Oficina neste 2010, marcaram os pontos que traçam o futuro Anhagabaú da Feliz Cidade, o complexo cultural, de educação e natureza que o Oficina projeta para esta área há mais de duas décadas.

A tatuagem do Anhangabaú da Feliz Cidade no território começou com o “Canto de Adoração”, a vela do Fogo de Zeus, no túmulo de Semelle, acesa e o vinho aberto completando a taça. Cacho de uvas, fogo e vinho oferecidos sob uma favelinha Helioiticiana, protegidos das intempéries. Nas palavras de Dionísio:

“Cheguei.
Da Ásia,
nesta terra:
Tebas
eu, o filho de Zeus e de Semélle,
cria de Kadmos,
estou aqui.
deus,
feito homem.
Na frente do palácio, ah!
o túmulo de Semelle!
Minha mãe!
A fulminada pelo raio.
Nas ruínas de sua morada consumida pela chama, evoé!
vejo! ainda vivo!
o fogo de Zeus!
Louvado seja Kadmos,
que tornou este lugar inviolável,
tombando como recinto sagrado da filha.
Eu escondi com uma parreira de Ampelos,
cheia de ramos carregados com cachos de uvas douradas….
Tebas é a primeira cidade que levanto, com meus berros, nesta terra da Grécia: ululando!”

Do terreno vazio, através do muro, vê-se a rua que leva ao TBC, na Major Diogo. Em 2011 o Oficina vai trabalhar em Cacilda!!!, a terceira peça da tetralogia sobre Cacilda Becker, que narra sua via obra no Teatro Brasileiro de Comédia na década de 50. O Teatro Extádio e o TBC juntos, é isso que quer o Uzyna Uzona para 2011.

No paredão do fundo do Oficina, os dois arcos romanos que dão para o ex-estacionamento do Baú vistos pelo lado de fora. Dois caminhos: uma IMPOSSIBILIDADE, no arco da esquerda, fechado com 80 centímetros de concreto armado, tábuas podres e restos da Sinagoga demolida. E no da direita, uma POSSIBILIDADE, a abertura para o Teatro Rua de Passagem, a Rua Canudos. De frente para esta abertura árvores frutíferas que sobreviveram exatamente por conta do abandono do terreno. Estas árvores, vearias e viçosas teriam sido arrancadas há muito se houvesse subido ali um edifício residencial ou um shopping, como ainda pretende construir o Grupo Silvio Santos.

A passagem para a Rua Santo Amaro, na parte alta do quarteirão, completa o trajeto. No portão de saída um “até breve” desejando a felicidade de tornar-se Feliz Sampã aos terrenos eternizados do Axé deixado pelas milhares de pessoas que lá estiveram nas Dionizíacas. De repente uma bola é encontrada. Chutada com um Viva ao Teatro de Estádio, este gol é a última cena de 2010 e a bola atravessa para 2011, um ano de abertura.

O território riscado liga quatro ruas, uma encruzilhada: a rua Santo Amaro, a rua Abolição, a rua Jaceguai e a rua Japurá. Devolver estes terrenos ao bairro, à cultura do bairro, depois de anos de exploração e desertificação, é um passe de mágica pelo que o Oficina luta intensamente há décadas e do qual a cidade esteve muito próxima neste ano de 2010. O tombamento do Oficina pelo Iphan abriu o caminho para a desapropriação desta área mas agora encerra-se um governo, que realizou no Ministério da Cultura uma revolução nada silenciosa. Este ministério pretendia desapropriar a área e a Caixa Econômica realiza atualmente o levantamento do preço dos terrenos a pedido do Minc. O Oficina lutou para que esta vitória máxima fosse alcançada ainda nos últimos dias do governo mas desde o dia 27 não se pôde mais contatar as pessoas responsáveis por esse passe. A Luta continua. Desejamos ao próximo ministério da cultura Merda, e a continuidade da política de estado implementada pelos 8 anos do Minc no governo Lula.

2010 se encerra como um ano mágico para o Oficina. As Dionisíacas em Viagem rodaram o Brasil patrocinadas pelo Minc, com Oficinas Uzynas Uzonas e quatro espetáculos do repertório em uma mambembada que transformou a todos, artistas do grupo e público e realizou a experiência do Teatro Estádio, trazendo-a de volta à casa do Oficina, a Sampã e o Bexiga.

No ano que entra essa experiência vai seguir dando força para abrir o grande terreiro no entorno do Oficina, devolvê-lo ao povo deste bairro, e iniciar a guinada que a cultura, fortalecida, pode dar, as Dionisíacas provaram, no destino da cidade.

Feliz ano novo!

Mais que nunca:

IÓ SAMPÃ

“O Dinheiro é um bem Público e a Justiça é superior às leis, quando estas são injustas” _Jean Luc Godard

Evoé!


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