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Assembléia aponta caminhos para a criação de complexo cultural e educativo nos arredores do Teatro Oficina

Durante cinco horas, na noite de 17 de dezembro um grupo de estudantes, atores, atrizes, jornalistas, cientistas, arquitetos, diretores de teatro, reunidos em assembléia no Teatro Oficina, debateu sobre ações que podem abrir e tornar mais conhecida uma luta de caráter público travada há 28 anos sobre o futuro do bairro do Bexiga atualmente num momento decisivo de sua história. Após anos de maltrato e degradação consequência da especulação imobiliária e financeira que atinge toda a cidade de São Paulo, principalmente em seus centros urbanos ou sua periferia central como é o caso do Bexiga, características da vida antes muito efervescente do bairro, perderam-se e estão se perdendo.
Nessa situação o Oficina luta por sua não sufocação e portanto destruição da última obra de arte arquitetônica concebida por Lina Bardi, ameaçada pela construção de um shopping, ou conjunto residencial, ou aquilo que for mais rentável para um desses grupos que causaram a atual destruição do bairro, o grupo Silvio Santos. E luta para expandir-se em Teatro de Estádio, Universidade Antropógafa, Oficina de Florestas e Ágora, conforme desejos, necessidades, projetos e realizações de seus cinquenta anos.

Aziz AbSaber, contou como se deu em 1980 o tombamento do Oficina pelo Condephaat, na época em que ele e Flávio Império eram membros do conselho, sem direito a voto, mas enfrentavam a velharada acomodada com tanto entusiasmo e sabedoria que ela acabava votando a favor daquilo que eles queriam. Ao tombamento em nível estadual seguiram-se a desapropriação e as obras de reconstrução também pelo estado. O atual governador José Serra, que atuou na primeira peça escrita por José Celso, e seu secretário de cultura João Sayad jamais pisaram na obra arquitetônica de Lina e o Condephaat aprovou o projeto do shopping Silvio Santos desconsiderando os 300 metros de entorno ao bem tombado que deve proteger. O governo do estado é o único que pode desapropriar os terrenos no entorno do Oficina no entanto após reunião em que foi entregue o pedido de reconhecimento do interesse público da área envoltória do teatro ao chefe de gabinete de Serra, Aloysio Nunes, nada aconteceu. O pedido foi repassado ao secretário adjunto de Sayad mas a notícia que o Oficina obteve é de que “o governo não vai mexer em negócios do Silvio Santos” numa atitude anticontemporânea em relação à situação da época de Aziz em que o Condephaat tombou o teatro e a Serra do Mar. Um processo de tombamento em nível federal está encaminhado no Iphan presidido por Fernando Almeida, no entanto precisa ter sua defesa relatada por algum membro do conselho consultivo, o que até agora não aconteceu.
Aziz declarou também seu combate, ao lado do Oficina, àqueles que acreditam que o espaço seja mercadoria e comparou o Bexiga ao bairro da Boca, em Buenos Aires, que atravessou um período de decadência mas revivesceu a partir das ações da própria comunidade que passou a pintar as paredes inspirada pelas cores de Quinquela Martin, com as tintas navais. Explicou a situação de calamidade em Blumenau e os trabalhos que vem realizando sobre a reserva indígena Raposa Serra do Sol e prometeu enviar livros para a biblioteca do Bexigão dentre muitos que recolheu pelo Brasil e doa para bibliotecas.

Foi exibido o documentário “Anhangabaú da Feliz Cidade”, realizado por formandos da faculdade de jornalismo da Cásper Líber, e em seguida vídeo feito pelo movimento Bexigão registrando a opinião dos moradores do bairro sobre o que se deve construir nas áreas vazias. Depois dos vídeos passou-se à discussão das maneiras possíveis para abrir essa luta pública de forma a iluminar a compreensão geral do povo do bairro mas também da cidade, do país e do exterior sobre o que quer o Oficina.

Organização e abertura para o início de 2009. A um corpo de criação artística deve corresponder um corpo de produção. Defende-se a não participação dos atuadores do Oficina nesse movimento de produção por conta do excesso de trabalho, assim deveria ser formado novo grupo para tocar a produção, mas quem poderia se engajar com mais força do que os próprios atuadores e criar uma máquina de guerra? Essa máquina de guerra não vai surgir adicionando-se lutadores ao front mas a partir daqueles que já estão no combate. Uma organização que soubesse solicitar dos atuadores os trabalhos necessários já traria um adianto. Bruno Castro, idealizador do documentário da Cásper, se propôs a organizar a comunicação.

Anhangabaú da Feliz Cidade, o nome até então do projeto do Oficina para o bairro, pode ser mudado, para Bexigão, ou Anhangabaú da Alegria, ou aceitam-se sugestões que podem ser adicionadas ao comentário no abaixoassinado. Assine!