Caminhada Índio é Nós

Dando seguimento à campanha pela mobilização nacional em prol dos direitos e das terras indígenas, o coletivo *ÍNDIO É NÓS* se une ao TEATRO OFICINA e ao MOVIMENTO PARQUE AUGUSTA em evento no Dia do Índio, em 19 de abril de 2014.

Convidamos a população de São Paulo para uma caminhada contra o ataque (genocídio, etnocídio, espoliação) aos índios patrocinado pelo agronegócio, pelas hidrelétricas, pelas empreiteiras e por novas encarnações do bandeirantismo desenvolvimentista, que destrói a terra como local de práticas simbólicas.

Além disso, dançaremos para celebrar nossos tekohás (termo guarani para designar não apenas o espaço físico da aldeia, mas o lugar onde se mantêm vivas as tradições, o modo de ser de um grupo), espaços da cidade prenhes de significação e ameaçados pela especulação imobiliária, pela segregação socioeconômica, pela paranoia securitária.

O cortejo sairá às 15h00 (concentração a partir das 14h00) do Museu de Arte de São Paulo (Masp), instituição em crise financeira cujo vão livre, tekohá de manifestações cívicas, a direção do museu já cogitou fechar.

Da Paulista, o cortejo seguirá para o Cemitério da Consolação, às portas do qual se invocará a força inspiradora do autor do Manifesto Antropófago, Oswald de Andrade, ali enterrado. Defronte ao cemitério serão depositadas oferendas.

Em seguida, os caminhantes se dirigirão ao Parque Augusta, na esquina das ruas Caio Prado e Augusta, uma das últimas áreas verdes no centro paulistano com resquícios de Mata Atlântica. Transformado em parque público pela prefeitura em dezembro de 2013, o terreno foi fechado por suas proprietárias, as construtoras Cyrela e Setin, que lá pretendem construir um conjunto de torres. Em torno desse tekohá faremos uma ciranda xamânica para abraçar o parque fechado.

Por fim, do Parque Augusta, o cortejo seguirá para o Teat(r)o Oficina (rua Jaceguai, 520), que, embora tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico (Condephaat), pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), corre o risco de ser destruído pela construção de prédios em sua área envoltória, com a questionável autorização da construção delas pelo Condephaat. Esta ação ainda derrubaria a Cezalpina: Árvore Sagrada deste Tekohá. No Oficina, encerrando essa manifestação pela retomada da demarcação das terras indígenas e em defesa dos tekohás paulistanos, todos os caminhantes, numa Grande Roda, poderão dançar e cantar o Choros n°10, de Villa-Lobos, pajé modernista.

*Índio é nós! Caminhamos.*

Para saber mais sobre a caminhada, “entre.”:http://www.indio-eh-nos.eco.br/eventos/sao-paulo-19-de-abril-caminhada-indio-e-nos/