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Carta ao Governador de São Paulo José Serra

Carta ao Governador de São Paulo José Serra

*Governador e ser humano-sendo:
José Serra
que quer ser presidente,
pise no que é o Teat{r}o Oficina Hoje.*

Venha ver, Vossa Excelência, com seus olhos
nem é preciso assistir à uma peça
venha sacar,
Vossa Excelência que já exerceu seu poder político de desapropriar
em 1984
o Teat(r)o Oficina
para que não tivesse como sina
ser comido pelo “Baú da Felicidade”

Venha constatar que
nesta CRISE
mais que nunca
pode exercer seu poder
para não permitir que
nem o Teat(r)o Oficina,
nem o Bairro do Bixiga,
sejam extintos.

Governador José Serra,
ator que fez João Ignácio,
o senhor não pode lavar as mãos dando uma de Pilatos,
mandando o Secretário Adjunto da Cultura
Ronaldo Bianchi,
nos dizer que
“não se meteria nas questões comerciais do Grupo Silvio Santos com o Teatro Oficina”
depois de eu ter exposto oficialmente ao seu chefe de gabinete,
Aloísio,
a ameaça de extinção
da Obra Prima Arquitônica Urbanistica de Lina Bardi
e do trabalho de criação naquele lugar do Oficina Uzyna Uzona.

Em plena crise da especulação imobiliária
um mortal que deseja ter o Poder de Presidência do Brasil
pode ter a percepção de que as “questões comerciais”
que nos levaram à atual crise
não são mais importantes que as questões ecológicas
do planeta
de nós seus habitantes,
animais, vegetais, humanos,
espécies todas ameaçadas de extinção.

Depois da construção
destruidora do bairro do Bixiga,
centro cultural cosmopolita de São Paulo,
do “Minhocão”, o “Elevado Costa e Silva”
grupos de especulação imobiliária,
principalmente o Grupo SS
vêm destruindo inúmeras casas tombadas
tirando sem-tetos de prédios e transferindo seus habitantes
como Ariclenes Barroso,
o grande ator-menino vindo do Bixigão para nosso elenco,
para as periferias das periferias,
destruindo até a 1ª Sinagoga de São Paulo
desvalorizando,
matando o umbigo cultural de São Paulo: o Bixiga.

Hoje o entorno do Teat(r)o Oficina
tombado pelo Condephaat,
é um canteiro de demolições
nem sabemos se anunciando um Shopping
ou Arranha Céus para 720 apartamentos.

Vale a pena contemplar
é um Cenário de Guerra e Destruição:
uma Faixa de Gaza depois de Bombardeio.

Vale para ao mesmo tempo ver com Alegria
como nós vemos
nessas ruínas
as arquibancadas naturais de um Teatro de Estádio,
o reflorestamento do Bairro do Bixiga
numa “Oficina de Florestas” e
a construção de uma Universidade Antropófaga
que nos faça estudar todos Tabús
que serão transmutados em Tótens
na enorme transvalorização de todos os valores
que a Vida, infra-estrutura real,
neste momento de Crise,
exige de nós todos.
E ainda nos nos dá o poder
de nesta hora,
a da Perestroika do Capitalismo,
sermos, sendo,
nos revendo,
para que não fiquemos neste liquidificador estúpido
de círculos viciosos
de milênios
que só nos levam à guerra, à miséria, à destruição de nós mesmos, da Terra
e nos condena à uma existência de escravos de uma abstração,
uma especulação: “os negócios comerciais de uma Corporação”.

São Paulo merece ter o Bixiga
reconstruído como Ponto de Encontro Cosmopolita e Misturado de Toda Cidade.
É o destino deste lugar,
que não pode virar “lugar nenhum”.

E podemos começar pelo próprio Minhocão,
reinterpretando-o
ressignificando-o
exatamente como retomada de um elo perdido,
como o arquiteto Paulo Mendes da Rocha projetou
nos baixos que ficam em frente ao Oficina:
um Anfiteatro, para ser a Ágora do Bixiga
e em seus terrenos remanescentes uma Praça Cultural.

Tudo o que criamos nestes 50 anos de luta, dos quais, 29, quase 30
impedindo que lá se construísse um Shopping
gerou o projeto de um Espaço Público de Reexistência do Bixiga:
O AnhangaBaú da Feliz Cidade.

Venha Governador,
pisar onde nasceu
pela criação comum de muita gente
este Sonho para São Paulo
e Vossa Excelência entenderá tudo.

Antes de terminar de lavar as mãos,
venha ver in loco o que pode não ser sacrificado:
um Teatro, uma Associação de Artistas, um Bairro, uma Cultura que brotou no Umbigo da Capital do Estado que V. Excia. governa
e que está neste “tupy or not tupy” mundial:
continuar no suicídio especulativo e abstrato da vida escravizada pela economia da especulação
ou cuidar dela pela Economia Produtiva da Vida pela Cultura,
que mais que “emprego”
dará “trabalho”, para muita gente,
mais que “trabalho”,
autonomia
e autodeterminação produtiva na Arte de Viver.

Pise neste local José Serra
Que teu nome lembre as grandes altitudes das serras onde se respira o ar de Zaratustra
que inspira poderosas decisões para o poder humano,
e não um serrote,
um corte em alguma coisa grandiosa
que pode acontecer neste momento
no Estado onde V. Excia. tem o Poder

Exerça-o nos caminhos que a Vida, a Poderosa,
está pedindo.
Dê a São Paulo um Ponto de Respiração,
de Meditação,
de Encontro de nós humanos,
sem grades,
misturados às florestas, aos bichos, à natureza deslumbrante escondida desta cidade.

*Pise e olhe de dentro do Oficina
a capital do Estado que governas
e “Coroa tua Cabeça de Hera”.*

José Celso Martinez Corrêa
Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
ou simplesmente

um mortal que desde um ano de idade vive no Bixiga

Todo Humor e Amor do Mundo

“Veja video do diretor Zé Celso mostrando a situação que ronda o Teatro Oficina”:/videos/76