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Carta ao Ministro da Educação, Fernando Haddad

Carta ao Ministro da Educação, Fernando Haddad

Exmo. Sr.

FERNANDO HADDAD

Ministro da Educação do Brasil

Em 2011 o Teatro Oficina completa 50 Anos de seu TERREIRO ELETRÔNICO, plantado na rua Jaceguay, 520, no Bixiga, centro de devorações  multiculturais de Sampã.

Vimos pra diante do seu Poder de Presença, na presença de seu Poder Institucional à Frente dos Rumos da Educação no Brasil – hoje não mais país do futuro mas coração propulsor de uma Renovação mundial, propor:

1 – Associação total do MEC ao MINC, sobretudo ao IPHAN, na aquisição e construção do Complexo Cultural, Educativo e Ambiental, no entorno tombado do Teatro Oficina, para a realização do Projeto Arquitetônico Urbanísitico do Anhangabaú da Feliz Cidade.

Esta subversão, na esclerose da Capital do Capital, tem por objetivos:

a – Revitalização do Bairro do Bixiga

b – Construção de um Teatro de Estádio, nesta década de Copas e Olimpíadas

c – Criação de uma Oficina de Florestas – para empestear de verde toda a

Metrópole

d – Implantação da UnInversidade Antropófaga

2 – Trabalho efetivo, sobretudo neste ítem d:

a – Implementação imediata de um núcleo sob sua direção pessoal, para que  toda cultura e educação que vêm sendo criadas desde a retomada da Antropofagia Oswaldiana pela Tropicália, até os dias de hoje, contracene através da UnInversidade Antropófaga com o que está institucionalizado na Educação Oficial, visando sua devoração no mundo aqui agora. Este núcleo tem como princípio abrir-se para a contribuição milionária, para todo o Brasil, do que desde já tem sido produzido em direção ao saber do que nos leva a lutar por esta nova universidade.

b – Assim como Villa Lobos conseguiu que o Estado Brasileiro adotasse na escola o Canto Orfeônico, propomos estudos para que o Brasil inteiro, num curto espaço de tempo, possa beneficiar-se em ter nos currículos escolares Coros Multimídia de Teatro Musical.

c – Estes Coros complementam o ensino da Educação Física, pela criação do Atletismo Afetivo e Cultural, que leve em conta a Educação de um Corpo Ator Coletivo e Individual Culto, através de montagens de Obras de Arte.

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Em 2010, nas DIONIZYACAS EM VIAGEM, encenadas em Teatros de Estádio para 2.000 pessoas, em sessões gratuitas em 9 capitais do Brasil, em um trabalho patrocinado pelo MINC, realizamos sobretudo Oficinas Uzynas Uzonas, onde praticamos a educação pelo Teatro, em Coros-Assembléias de Jovens Artistas, de todas as classes sociais, inclusive a dos desclassificados. Percebemos que já formamos a UnInversidade Antropófaga, talvez desde “O Rei da Vela”, em 1967 e “Roda Viva”, em 1968.

A peça de Oswald remeteu toda geração de artistas às origens indígenas antropófagas, e o Coro de jovens pagãos de 1968, que criou “Roda Viva”, trouxe o retorno das Rodas da Feitiçaria Africana Negra, Indígena, da Tragédya Grega, da Alegria e Irreverência das Multidões Carnavalescas Dionisíacas para a Educação e a Cultura brasileiras.

Com o correr dos anos o Teatro Oficina Uzyna Uzona foi criando esta Universidade pragmaticamente, através de montagens que tocavam nos Tabus Sociais, Religiosos, Políticos, Sexuais, Urbanos, Econômicos, por isso não se deixou capturar pelo saber dominante imposto pela Ditadura MEC-USAID.

Somos praticantes desta Arte, desta Tecnologia, porque não dizer desta Sciencia, como cantaria Chico Science, nesta justa hora dela ganhar CIDADANIA.

“É preciso ir direto ao Tabu”. Aí estão, atrás de todos os Armários, recalques, abscessos, que, se abertos em Praças Públicas, Escolas, transformar-se-ão em Tótens, em valores de um mundo novo.

O tão na moda bulling, e seu revide, tem de ser estudado, com todas as fobias, à luz da Arte e da Ciência na Educação.

Numa sala de aula, com os alunos sentados na mesma posição durante horas, diante de um quadro negro ou uma tela de computador, o corpo não é tocado pelo saber.

Na  Universidade que propomos a sala de aula é um Território Cênico, propiciador da dança do saber e do sabor. Conforme o que se estuda, pode-se sentar, levantar, dançar, cantar, abraçar e sobretudo interpretar novamente nos Corpos estes conhecimentos devorados e recriados.

A Universidade Contemporânea pode criar Corpos de Baile, Jogadores, dribladores dos impasses políticos, das zonas fronteiriças, obscuras, estagnadas, paraísos do Dengue  Cerebral.

Anchieta começou pelo Teatro a lavagem cerebral dos Índios e os historiadores do século passado viam nele o precursor do Teatro Brasileiro. Oswald comeu Anchieta = Bispo Sardinha, e dele somente restou o Teatro como ensino, mas não o de púlpito, o do palco, o do monólogo, da Cátedra, e sim o da Roda Viva Antropófaga de transformação permanente do Tabú em Tótem.

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Hoje estamos em processo de montagem das “DIONIZÍACAS URBANAS ANTROPÓFAGAS”. Iniciamos com a “MACUMBA ANTROPÓFAGA”, inspirada no Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, Estatuto da UNINVERSIDADE ANTROPÓFAGA. Incluímos o Toré do Choro nº 10, de Villa Lobos, contemporâneo de Oswald, para nos inspirar na coralização musical de todo Rito e lembrar a importância do genial maestro que conseguiu através do MEC a implantação de Coros Orfeônicos  em todas as escolas públicas do Brasil, para serem cantados nas Ágoras, nos  Estádios, nas Praças Públicas de Multidões. Na época um Coro de 40.000 pessoas na rua.

A Segunda peça dessas Dionizíacas é “ACORDS”, de Brecht e do músico da Escola de Frankfurt, Paul Hindemith. Esta peça inspirou os Estatutos da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona num acordo de mudança permanente. Agora sua montagem será encenada como a Arte de uma Assembleia, em que o público fará parte, recebendo inclusive dias antes das sessões seu texto no papel de MULTIDÃO, pré-musicado, para contracenar com os Coros Multimídia, em torno do Acordo ou Desacordo, de tudo que nesta carta – e mais – é conteúdo.

A 3ª peça é “CACILDA !!! – 3 exclamações – terceira parte da tetralogia que narra a história do teatro brasileiro através da vida-arte da grande atriz Cacilda Becker. Nessa fase está o TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, onde ela consagrou-se como Artista, a mais elétrica que o Teatro Brasileiro produziu.


Será realizada parte no TBC, que a FUNARTE comprou, parte no Teatro Oficina, e parte no espaço onde será construído o Teatro de Estádio: Ex-Estacionamento do Grupo Silvio Santos. “CACILDAS!!!!!!!!!!” – múltiplas exclamações, são uma tetralogia  devoradora dos ensinamentos da geração que nos antecedeu. Já encenamos duas peças: “CACILDA!” (uma exclamação) e “CACILDA !!” (duas exclamações), e o ano que vem encerramos com “CACILDA!!!!” (4 exclamações), que termina em 1968 no momento em que Cacilda Becker liderava as grandes Assembleias Paulistanas para botar abaixo a Ditadura Militar através da desobediência civil, das passeatas, de seu entusiasmo, que explicam os pontos de exclamação que vem nos títulos destas peças, pela Arte, pela Estética, pela Beleza do Teatro como Escola de Educação, Cultura e perfuração de todos os TABÚS.

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Estamos num exercício constante de pensar, praticar e ativar a UNINVERSIDADE ANTROPÓFAGA, e as contribuições de saber vêm de várias pessoas. Camila Mota, atriz do núcleo de estrategia do Oficina fala, por ex., do Poder que o Teatro tem para alfabetizar os sentidos, as emoções e outras interpretações. No Brasil, milhares de crianças tem somente um nível de alfabetização, onde se entendem as ordens das palavras, sabendo decodificar os sons, sem nenhuma compreensão, sem nenhuma ligação com a imaginação. A experiência que  o Bixigão, trabalho de Arte Teatral com as criaças do BIXIGA, que faz parte da UNINVERSIDADE, teve com “Os Sertões”, trouxe uma bem sucedida nova alfabetização a partir do livro de Euclides da Cunha. Foi não só o aprendizado de outras palavras, de outras culturas no corpo com a experiência de atuar, mas da possibilidade de interpretá-la.

Estamos deixando em suas mãos as 27 horas do filme “Os Sertões”, que  foi sem dúvida nossa maior Universidade. A complexidade do Livro, as inúmeras matérias de que trata, unificadas pela grandeza poética de Euclides da Cunha, inspirada na epopéia dos Conselheiristas de Canudos. Até a Arte Militar, entre outras, aprendemos.

Finalizando não podemos deixar de lembrar Anísio Texeira, Gustavo Capanema, Darcy Ribeiro, que com Brizola e Niemeyer em 9 meses levantou o Sambódromo.

Esses nossos ancestrais chamam a necessidade de para este empreendimento, juntarmos esta equipe.

 

Com isso, seguimos fazendo o que nos propomos:  Arte em sua melhor manifestação de Desejo e Ardor.

 

São Paulo, 19 de Abril de 2011

Dia do Índio

Ano 455 da Deglutição do Bispo Sardinha

 

José Celso Martinez Correa

Presidente Associação Teatro Oficina

 

Ana Rúbia de Melo

Coordenadora de Projetos

 

Leia também:

“Universidade Antropófaga Brazyleira, por Zé Celso”:http://teatroficina.uol.com.br/menus/45/posts/460
“Treze meses de paixão, por Camila Mota”:http://teatroficina.uol.com.br/menus/45/posts/461

Veja o encontro do Oficina com o Ministro Haddad em junho de 2008:

“Parte 1”:http://teatroficina.uol.com.br/menus/48/videos/50
“Parte 2”:http://teatroficina.uol.com.br/menus/48/videos/51
“Parte 3”:http://teatroficina.uol.com.br/menus/48/videos/52
“Parte 4”:http://teatroficina.uol.com.br/menus/48/videos/53


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