CÉU D’ASTROS | NASH LAILA

iÁ, Nash!

Hoje, quinta-feira 04 d maio,é feito mais um traço na constelação de astros y estrelas do tyazo Uzyna Uzona:

Meu corpo começou a ser forjado na bigorna antes de pisar na Jaceguai 520. A partir do flerte que começou lá em 2007,  no Cais do Porto à beira do encontro do oceano Atlântico, o rio Capibaribe e o rio Beberibe, centro histórico de Recife, onde estava montada uma réplica do teatro de Lina e Edson pr’Os sertões. Entrei bem na hora da mar de yemanja d’A Terra, atrasada. Era cheiro de sálvia, água salobra do cais e música cantada baixinho, em coro, numa cadência bossa-nóvica. A primeira impressão não foi intelectualizada, mas totalmente sensorial.

“caralho!

levei um malho!”

eu, crescida em Sucupira, no meio de mata e brincadeira de rua, pé-de-manga, jambo e macaíba, sendo benzida e tratada com lambedor, em 2007, até já era atriz, tinha feitos peças, tinha estreado no cinema e fazia aulas de teatro e música, e tinha ouvido falar em Zé Celso e no Rei da Vela. Mas aquilo que eu vi quando entrei no teatro no porto foi um espanto bem bom.

Por causa do cinema viajei um bocado nesse ano e rolou de estar no Rio de Janeiro bem na mesma semana em que o Oficina estaria presentando Os sertões. Vi pela segunda vez. [Coisa do destino ou de muita coincidência ou mesmo de muita sorte, é que fiquei hospedada na mesma casa em que Camila tava. Aprendi com a calma, a atenção e o silêncio de Camila, só de conhecê-la].

Aí depois fui fazer universidade, intercâmbio e o djabo a quatro. Por pouco não me inscrevi pra primeira turma da Universidade Antropófaga. Em 2010, as Dionisíacas chegaram em plena copa num teatro de extádio pra 2mil pessoas em Peixinhos, Olinda, com a novidade das inscrições pras oficinas Uzynas Uzonas. Fomos em bando da faculdade viver Taniko, Cacilda!!, Bacantes e Banquete.

Em 2011 fui filmar Tatuagem, um filme sobre um grupo de teatro de revista no fim dos anos 70. Minha personagem era uma atriz do grupo Chão de Estrelas. Tinham passado 4 anos desde os sertões e eu tava mais sem-vergonha. Quando acabou a imersão do filme saquei que meu corpo precisava viver o teatro no dia-a-dia e, toda vez que desejei, pensei no Oficina. Então acabando o semestre de cênicas, no meio da ceia de natal, voei pra SamPã com passagem de vinda:

rua Lina Bardi – terreiro eletrôniko da Universidade Antropófaga, Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Incorporei no tyaso dia 5 de março de 2012 na Macumba Antropófaga, nova visão do novo mundo aos olhos de uma recém-chegada. Assim, de cara: Oswald, Pagu, Tarsila, Villalobos.. antropofagia no corpo e não mais na intelectualidade acadêmica. o tête-a-tête com o público, ver con los ojos libres, sem véu. A experiência de alteridade em cena. Rasga o coração!

no segundo semestre de 2012, Acordes de Brecht. Nós cantamos pra voar e virar do avesso! a ressignificação da palavra ajuda. muda! não reclama mais!

depois vieram os arfados Cacídilcos com as cinco peças sobre a atriz matriz: cacilda!!! glória no tbc; walmor y cacilda 68 – aquiagora;  cacilda!!!! a fábrica de cinema e teatro; Walmor y Cacilda 64 – robogolpe; e Cacilda!!!!! A rainha decapitada; uma Odisseia sobre Cacilda Becker, onde tive o prazer de vivê-la nas suas fases erês, sua vida e sua cena. Sua paixão, obsessão  e luta pelo teatro.

em 2015, dia de yemanjá, iniciamos a peça radiofônica de Antonin Artaud, Pra dar um fim no juízo de deus, descruzando as cruzes que existem no nosso pensamento colonizado, enfeitiçado e, depois, seguimos com o Banquete de platão, lambuzando os beiços em odes a Eros, cultivando amor, sentindo amor.

A Universidade Antropófaga se faz todo dia. Durante esses cinco anos de tyaso ando transformando a experiência de teatro em teato e a atriz em atuadora. Em meio às peças atuo também no pragmatismo poético da casa de produção, nas acupunturas e teatos pelo bairro do Bixiga, nossa tekohá, numa luta de felicidade guerreira contra a especulação imobiliária e a estética do business, nas manifestações, nos estudos e pesquisas em grupo, nas danças, nos cantos, na comunicação, nos roteiros, nas assembléias, nos blocos de carnaval, e todas as coisas que inventamos pra não pararmos, pela antropofagia, pela alegria, pela terra.

Bacantes acabou de acabar sua última temporada. Bacantes são mulheres que sabem de si. Meu corpo continua sendo malhado na bigorna diária, aprendendo e sobretudo, desaprendendo. Pra ser bárbara. Nascendo, morrendo e renascendo junto a essa constelação de gente a que sou apaixonada e viciada.

e em eterno retorno,

#parecequeémacumba!

estamos em maio! muitas vidas e tempos. um presente atrás do outro. um passado cheio de coisa boa. e um futuro de frio na barriga. ya!

tente esquecer em que ano estamos. estamos em pleno mar…

Agora, maremoto. Sigamos!


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