Lendo

Dois sentimentos sobre o Rito Cineteatográfico do ...

Dois sentimentos sobre o Rito Cineteatográfico do Centenário do Arquiteto Lina Bo Bardi

Essa semana Zé teve a sacação de que nossa OdisseiaCacildas nos daria os caminhos pra 2015; abrimos a Odisseia com o Centenário de Lina Bo e o que mais me emocionou dentre todas as coisas lindas foi a força de um coro na sua menor dimensão, eletrizado entre si, com o cosmos e, principalmente, com o espaço. A arquitetura viva de Lina, que canta e é permeável, nos proporciona imaginação cênica. A cidade entrava no teatro não só visualmente pelo janelão, mas com sua massa sonora transfigurada em silêncios… ah!res… percorrer e ocupar aquele espaço no silêncio, com uma multidão, às vezes entrando música com sua força total atingindo até o ultimo fio de cabelo, tocada com instrumentos convencionais, com canções ou somente tocada com instrumentos da própria arquitetura, passar por todos os elementos essenciais – céu, terra, água, ar, floresta, fogo, metal, pedra – foi uma grande prova de que Lina tava ali nos mostrando pra onde seguir… na totalidade da simplicidade… como respirar… tá tudo lá.

*Nash Laila*
*atriz da #odisseiacacildas e atuadora da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona*

Nos “cem anos de Lina Bo Bardi”:http://teatroficina.com.br/menus/45/posts/837, quem esteve no Teat(r)o Oficina sacou que estava no lugar certo. Pois quem deixaria de estar presente na festa de aniversário da artista? Poder abraçá-la, dizendo: “Obrigado, Lina! Feliz aniversário, muitos anos de vida!”. Isso foi possível porque lá no Oficina percebemos que ela segue mais viva do que nunca. Inclusive, Lina segue renascendo.

Em uma festa feita de silêncios e sinestesias, O Tyazo do Teatro Oficina conduziu mais de uma centena de pessoas para dentro da obra – o Teat(r)o concebido por Lina e Edson Elito – em transe/trânsito pela rua que leva seu nome: Lina Bardi.

Lá de dentro, olhamos através da imensa janela do Oficina, limpa na coreografia dançarina do terreyro corográfico, ornada pelo verde vivo da copa de uma Cesalpina (plantada pelas mãos da arquiteta), planta que rompe de dentro e se arvora por fora. Um lugar onde dentro e fora se mostra na mesma razão.

Projeções de filmes criados pela Companhia trouxeram o pensamento de Lina de volta à fala. É Sylvia Prado quem recebe essa visita. E juntos, de dentro de uma obra da artista, passamos para outras, como o MASP, o SESC Pompéia e a Casa de Vidro.

Rompemos os limites da edificação e, transformados em fluxo riocorrente, desaguamos no entorno tombado do Oficina. Em toda sua dimensão, fizemos fogo para melhor sentir a imensidão. Sacar como a artista visualizou o “teatro de estádio” que lá deverá surgir. Ouvir soando de longe o tambor e a terra, cantar baixinho ao pé de um ouvido.

Ao fim, tivemos no brinde, o banquete. O prato preferido de Lina – galinha ao molho pardo – virou alimento compartilhado, explodindo de sabor-arte no céu de nossas bocas, convidados dispostos em festa sob um outro céu, aberto para a lua cheia.
Sim, Lina estava presente em sua festa. E que presente essa noite nos deu.

*Marcelo Noah*
*poeta, artista sonoro e atuador de multidões*

Confira como foi o Rito Cineteatográfico do Centenário do Arquiteto Lina Bo Bardi “entrando aqui”:https://www.youtube.com/watch?v=-lVJfnWuF80#action=share.