Bixigão

2002 – Surgiu como mutirão de artistas da cia.Uzyna Uzona, praticando música, circo, capoeira e te-ato com as crianças dos cortiços e ocupações do Bixiga, guiados pelos estudos para a montagem de Os Sertões de Euclides da Cunha.

Foi a resposta afetiva da Uzyna para solucionar um problema recorrente na época- os furtos aos carros que estacionavam na porta do teatro.

Ao invés de chamarmos a polícia, chamamos por indicação de um baterista o líder comunitário Pedrão, que conhecia todo mundo dos arredores e ensinava capoeira para os meninos e meninas da ocupação vizinha ao teatro nos fins de semana.

Não imaginávamos a proporção que essa iniciativa alcançaria, foram cinco anos de um trabalho intenso, culturalmente arrebatador, de proporções educacionais inimagináveis. Estudamos, montamos, criamos, trabalhamos todos o os capítulos da obra, e compusemos uma das maiores e mais importantes montagens do Teatro Brasileiro. Os meninos e meninas formaram o primeiro coro mirim da Uzyna. Participaram das cenas corais da peça, viajaram com a Cia, pelo Brasil e para a Alemanha realizando oficinas e trocas com outras crianças de espaços e instituições que espelhavam suas condições.

2007 – Bixiga Revista Oficina do Samba, continuidade do movimento, com o projeto escrito e regido por Letícia Coura, uma pesquisa dos Sambas antigos de São Paulo, e a realização de oficinas específicas  de música, somadas às já existentes na primeira fase do projeto. Nesse processo, os coros de crianças de quatro a dezenove anos atravessava o bairro de uma atividade a outra, tínhamos três pontos de trabalho, o Teatro Oficina, a quadra da Vai-Vai e a sede do movimento Bixigão, conquistada por esse projeto.

Estes percursos, foram temas das oficinas, a vida cotidiana do bairro foi inspirada e incorporada ao trabalho que gerou um Cd, uma série de shows e um songbook para veiculação e difusão dessas músicas.

Se o primeiro projeto revelou a atuação desse coro, o segundo reforçou uma característica inerente: o talento e a facilidade musical desse coro.

2008 – PONTO DE CULTURA: fomos contemplados durante o ministério de Gilberto Gil, como o Projeto “Em uma coisa existem muitas coisas”, subtítulo da obra Brecht – “HORÁCIOS E CURIÁCIOS”, texto que inspirou o norteou o Bixigão desde sua fundação, esse trabalho propunha a formação de uma universidade, seriam três anos de estudos, práticas que contemplariam muitos saberes, teatrais, humanos, para criar uma estrutura de invenção e inversão de valores. Essa peça conta a trajetória de dois coros durante uma luta, um com muitos armamentos e recursos e outro com poucos recursos poucos materiais e uma descoberta fundamental, a criação!

Foi uma proposta ousada, difícil, contemplada em alguns pontos, mas que encontrou muitos obstáculos de logística, estrutura, burocracia. Terminamos e concluímos o projeto realizando muitas obras:

A montagem de “Cypriano e CHAN- TÁ- LAN”de Luís Antônio Martinez Correa. A peça alfabetizadora de Pascoal da Conceição, os esboços de “ O Bailado do Deus Morto” de Flávio de Carvalho, mas não conseguimos o objetivo fundamental: o fortalecimento e a autonomia desse coro, não mais de meninos e meninas mas de jovens alguns já homens e mulheres.

Essa avaliação dos caminho tomados, foi fundamental para a reformulação do projeto, retomamos o caminho com uma nova estrutura -O CIRCO.

2010 – O Circo toma o teatro, inaugurando o espaço aéreo do Oficina, e trazendo pro movimento Bixigão Veronika Tamaoki, que já havia participado de uma fase do processo de “Os Sertões”, e Ane Loeckx, como mestras e coordenadoras de uma nova etapa dos trabalhos, onde a arte circense vira guia, escolhida tanto pelo desenvolvimento motor, quanto pela coletividade, Achamos que esse ofício passado pelas gerações numa família, a arte onde a  estrutura de base determina a boa formação de uma pirâmide, a imediata ligação que um amigo escalando o tecido gera, eram o ponto de mutação pro alcance de nossos objetivos fundantes no Movimento. Isso dizia respeito aos pequenos, mas queríamos abarcar os familiares destes e outras pessoas de outras periferias. Abrimos mais 3 atividades: Tecelagem -com Lala Martinez Correa- para as mães e mulheres, e outros interessados, Percussão-com Vítor da Trindade, e Teatro, focado nos estudos da Antropafagia feitos por Beatriz Azevedo. Todos os processos foram frutíferos, mas não conseguimos abarcar as mães e mulheres do bairro.

2011 – Reduzimos o projeto à sua menor dimensão por questões financeiras e  estratégicas. Mantendo o circo como atividade principal, abrindo as portas do teatro para trabalhos nas partes da manhã e tarde. Os trabalhos tinham duas horas de duração. Uma hora e meia de atividades. Três mestres no mesmo espaço cada um com um foco, cada um com uma pequena turma. Um trabalhando malabares, outro os aéreos, outro em acrobacias de solo. Essa dinâmica, gerou um processo rico. Com resultados visíveis. Foi possível no final da etapa de trabalho seguir caminho trilhado por cada criança. A última meia hora do trabalho, e isso se deu em toda a existência do Movimento, era reservada para o lanche, um banquete de frutas, comparadas no sacolão em frente ao teatro, tempo-espaço onde se descobriu a história de vida de cada um, onde se trocaram os afetos e se estreitaram os elos.

2013 – Apesar de toda a poética… as dificuldades estruturais na Cultura atingem nosso óvulo. Sem verba para estrutura mínima, somos obrigados a fechar as portas.

2017 – O aniversário de Villa Lobos, as montagens futuras de  do Rei da Vela e as demais obras Oswaldianas nos inspiram à retomada. Focados nos Corais Teatais, no coro infantil de O Homem e o Cavalo, nas obras musicais que o Oficina tem estudado e colocado em cena, e em parceria com a CEI Gabriel Prestes, projetamos para o segundo semestre a formação de um tyaso, como nos primeiros anos do movimento, um mutirão dos artistas da Uzyna, com os mestres e alunos desta escola modelo de São Paulo, para ré-criação do trabalho.

Vale dizer que movimento Bixigão entre outras inspirações e diretrizes, é guiado  é por esse item do estatuto da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona:

“provocando estudos, debates, ações, com movimentos sociais confluentes e divergentes, encruzilhadas na arte e na cultura, na vida social e suas lutas. Pesquisas e realizações e obras inspiradas nos encontros e (des)encontros entre a sociedade selvagem. Utilizar todos os meios, por si mesmo, em associações com entidades correspondentes do país e do exterior para atingir seus objetivos nacionais ou planetários.”

Também não podemos falar em Bixigão sem citar pessoas que foram  e ainda são o coração desse movimento: Pedro Epfanio, Fioravante Almeida, Flávia Lobo de Felicio. Eterna Gratidão.

Sylvia Prado

Atriz da Companhia desde Cacilda!

Teve a alegria de ter sido cabaço na mesma era que Camila Mota, Fernado Coimbra, Odara Carvalho, Flávio Rocha, (era das telepatias),

Teve também a alegria de ter sido discípula de Renéé Guimel,

A alegria de ter participado de quase todas as montagens que O Oficina realizou desde então .

Sempre esteve metida no meio dos figurinos,

Sempre esteve envolvida com as crianças e o movimento Bixigão (no papel de mãe chata)

Teve o maior gozo da vida ao entrar em cena com seu filho em CACILDA!!!

E hj é uma das CORIPHEMEAs desse tyaso!

Crianças do Bixigão encenando O Homem II.
Foto: Marcos Camargo
Crianças do Bixigão encenando O Homem II.
Foto: Marcos Camargo
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