O Teatro Oficina completa 59 anos no ano de 2017 em plena atividade artística e social. Surgido em 1958, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco o grupo passou por diversas fases. A profissionalização a partir de 1961, os Anos Dourados até o fim da década de 60 quando foram encenadas obras que revolucionaram a moderna dramaturgia brasileira como Pequenos Burgueses de Gorki e O Rei da Vela de Oswald de Andrade, o exílio durante os anos de chumbo da ditadura militar, entre 1974 e 1979 trabalhando em Portugal, Moçambique, França e Inglaterra produzindo obras cinematográficas como o 25 que narra a libertação de país africano e O Parto sobre a Revolução dos Cravos.

A partir da abertura lenta e gradual brasileira o grupo voltou a se reunir em São Paulo e durante dez anos trabalhou para levantar o novo teatro, com projeto arquitetônico de Lina Bo Bardi e Edson Elito finalmente aberto em 1993, inaugurando nova fase em que obras clássicas da dramaturgia mundial como Hamlet de Shakespeare e Bacantes de Eurípides foram realizadas à moda de Óperas de Carnaval Eletrocandombláicas – modernos musicais brasileiros com elenco coral numeroso e banda ao vivo conquistando um público jovem em São Paulo e pelo Brasil.

No início do século XXI o Oficina deu nova virada com o trabalho de transversão de Os Sertões, a obra vingadora de Euclides da Cunha, para o teatro e kinema. Em um processo que durou 7 anos, de 2000 a 2007, o Oficina abriu-se ainda mais para o social e as questões de educação, urbanismo, e comunicação – questões da cultura tratada como infraestrutura – passaram a ser trabalhadas com vigor e profundidade pelos atuadores do grupo em uma verdadeira campanha de “desmassacre”. Nasceu nessa época, em 2002, o Movimento Bexigão, trabalhos artísticos realizados com as crianças e jovens em situação de risco social no bairro do Bexiga, onde situa-se o Oficina. A cultura desses herdeiros dos sertanejos de Canudos misturou-se à cultura cosmopolita e o grupo e público tornaram-se heterogêneos em suas classes sociais e etnias. Os Sertões, cinco peças que somam 27 horas de teatro, iniciaram-se com a estreia da primeira parte A Terra em 2 de dezembro de 2002, no aniversário de cem anos da publicação do livro e encerraram-se em 2 de dezembro de 2007, último dia de apresentação dos cinco espetáculos no sertão de Canudos, palco original do massacre narrado por Euclides da Cunha. A trajetória dessa obra incluiu apresentações pelo Brasil e na Alemanha, abrindo a temporada de outono do Volksbuhne em Berlim, no ano de 2005.
Em 2008 o Oficina chegou a seu jubileu de ouro, completou 50 anos celebrados com vitalidade que gerou quatro novas montagens, Os Bandidos de Schiller, Cypriano e Chan-ta-lan de Luis Antônio Martinez Correa e Analu Prestes, Taniko de Zen Chiku, um nô japonês transcriado pela bossanova tranzênica, e Vento Forte para um Papagaio Subir, primeira peça escrita por José Celso, diretor da Companhia. Em 2009 essas peças ficaram em cartaz e duas novas montagens foram criadas: em junho houve a estreia de O Banquete de Platão, cujos primeiros ensaios realizaram-se em Zagreb, na Croácia em oficinas com artistas locais, e Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!, segunda parte da tetralogia que narra a viva vida da grande atriz brasileira Cacilda Becker, estreado em setembro.

No ano de 2010 o Oficina realizou as Dionisíacas em Viagem, patrocinadas pelo Ministério da Cultura através de convênio de co-produção com a Companhia. O projeto teve duração total de 11 meses, de março de 2010 a fevereiro de 2011 e apresentou quatro espetáculos do repertório em teatros de estádio efêmeros – tendas armadas para 2000 pessoas – em nove capitais brasileiras além de realizar oficinas de todas as artes teatrais totais com artistas e aprendizes.

No ano de 2011 o Oficina trabalhou a Macumba Antropófaga, transcriação do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, parte do projeto de realizar as Dionisíacas Antropófagas Urbanas, patrocinadas pela Petrobras. A criação desse espetáculo marcou a 1ª dentição da Universidade Antropófaga, que incorporou Oswald de Andrade no século XXI, seguindo a direção de trabalhar a velha anatomia urbana e chegar no bairro e no corpo popular do Bixiga através do teato. O prólogo da peça se abria pra Rua Jaceguai, numa imensa cobra-grande com atores e público atuador, num cortejo que abraçava o terreno entorno ao teatro, tombado pelo patrimônio histórico municipal, estadual e federal.

Em janeiro de 2012 o Oficina participou com Bacantes do Festival Europalia, na Bélgica, que em sua 22ª edição teve o Brasil como tema e mostrou a diversidade da produção cultural nacional em quatro meses de espetáculos, exposições e shows, de outubro a janeiro.
Neste ano a Macumba Antropófaga ocupou os terrenos envoltórios do Oficina em um circo e tendas armadas para a realização. Em agosto o rito-peça viajou pelo interior paulista sendo apresentados em ginásios esportivos do SESC em três cidades.
No segundo semestre a Oficina Uzyna Uzona produziu Acordes, baseada na Peça Sobre o Acordo, de Bertold Brecht e Paul Hindemith, que teve sua estreia em 8 de novembro e seguiu temporada até o dia 23 de dezembro.

No anos de 2013 e 2014 o Oficina mergulhou novamente na dramaturgia de Cacilda e produziu 5 novos espetáculos da maxisérie teatral escrita por José Celso Martinez Correa e Marcelo Drummond inspirada na vida-arte da grande atriz tragicomicorgiástica brazyleira, Cacilda Becker. Foram montadas Cacilda!!!, Cacilda!!!! e Cacilda!!!!! da fase da atriz no Teatro Brasileiro de Comédia e Walmor y Cacilda 64 – Robogolpe e Walmor Y Cacilda 68 – Aqui Agora.

Em 2015, no primeiro semestre a companhia voltou à duas encenações do repertório: pra dar um fim no juízo de deus, de Antonin Artaud e O Banquete de Sócrates, Platão e Zé Celso.

Oswald de Andrade realizando o projeto Oswaldianas – Teato na cidade seca sobre rios, com duas linhas de atuação: a montagem do espetáculo Mistérios Gozózos, a partir do poema O Santeiro do Mangue e a 2ª Dentição da Universidade Antropófaga, com trabalhos de estudos e encenação do Pau Brasil em bloco de carnaval.