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#VETAasTORRES #EntornoPÚBLICO | por Afonso Luz

#VETAasTORRES #EntornoPÚBLICO | por Afonso Luz

A luta do Oficina contra o grupo Silvio Santos não é apenas o embate de um grupo de teatro (seus atores/diretores) contra um grotesco personagem do mundo midiático.

Estamos diante de uma luta da cidade (de seu conceito de civilização e de organização civil) contra uma violência especulativa, contra um monstro que devora nosso solo e nosso ar para fazer dele apenas uma maquinaria falsa de dinheiro e confinamento de pessoas.

E esse monstro é o que apaga os traços da cidade, uma aberração que só destrói a memória e o tecido vivo, um negócio que só aniquila a paisagem histórica e o contexto urbano originário. Estamos enfrentando, cada um de nós, uma força que quer devastar o pouco que resta da nossa configuração e origem, da nossa natureza tipológica essencial, de nosso traçado geográfico e de nossa topologia humana.

O terreno ao lado do Oficina hoje é um parque da cidade, um sítio ancestral, arqueológico e histórico, um vazio cheio de vida, uma dádiva do acaso e que mantém um córrego soterrado nele, um fluxo aquífero e rizomático que precisa renascer (esse tesouro que é um pequeno veio d’água que deu nome ao Bexiga e que formou a calha do que se chama Anhangabaú).

Se São Paulo, se o Brasil, não se moverem juntos, com todo apoio internacional, com toda força possível, nós deixaremos mais de nós mesmos perecer na inanição atual, numa mesquinharia de endossar uma negociata bárbara e corrupta, para termos ali mais do mesmo, mais desta catástrofe urbana que cada vez nos devora e nos impede de viver uma vida, naquilo que nem se pode chamar mais hoje de cidade.


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