Gardner Minshew II Jersey Daniel Jones Womens Jersey  Entrevista: Carila Matzenbacher – Teat(r)o Oficina

Entrevista: Carila Matzenbacher

Carila Matzenbacher Veio de São Jorge D’ Oeste, interior do Paraná, e está em São Paulo desde 2008. Nesse ano entrou no Oficina para trabalhar na peça Os Bandidos, a convite da arquiteta Cris Cortilio. Ela já trabalhava com teatro desde que saiu da faculdade de arquitetura e urbanismo em Curitiba; primeiro no Teatro Guaíra, onde participou como assistente na criação de várias óperas (Dom Giovanni, La Traviata, La Serva Padrona), e depois no Ateliê de Criação Teatral, com o Ator Luis Mello. Também trabalha com projeto e execução de edifícios teatrais. Construiu dois teatros do Instituto de Artes da Unesp, na Barra Funda, e, no ano passado, projetou e construiu junto com Cris Cortilio oito teatros de estádio pelo Brasil, com o Teatro Oficna. Corifeu da Universidade Antropófaga, hoje assina também a Arquitetura Cênica e a criação de objetos da Macumba Antropófaga.

*De quem foi a ideia de abrir os fossos do Oficina?*

Os buracos do fosso foram abertos durante o período inicial dos ensaios da Macumba, numa fase de dificuldade criativa, quando a exaustão das Dionisíacas e o êxodo da maior parte dos integrantes da Companhia dificultavam os ensaios. Pensamos em abrir os buracos como forma de experimentação espacial. Entretanto, os buracos do piso aberto e o fosso de bloco de concreto aparente causavam uma sensação de avião caído, de AKordes, a peça que também iríamos começar a ensaiar no primeiro semestre. Então, em nossa primeira aventura de ensaio corrido, resolvemos povoar esses buracos com vida e coloquei no fosso os vasos com plantas que estavam no teatro, resquícios do nosso jardim do Teatro de Estádio de Sampã. Surgiu assim nossa mata atlântica, floresta do mangue!

*Então foi assim que surgiu a ideia transformar o Teatro em uma grande floresta?*
A floresta do mangue explodiu dos buracos do fosso e invadiu o espaço inteiro. Nessa fase, defini quatro tipos de biomas vegetais que cresceriam no espaço cênico: a floresta do mangue, a mata ciliar envolta da fonte, a floresta aérea e o jardim Burle Marx Tarsilístico!

*Como isso será executado?*

Quando a floresta brotou em nosso imaginário, percebi que precisava de apoio para fazer o jardim de Burle Marx, então procurei uma antiga professora de paisagismo e perguntei a ela quem era o atual Burle Marx! Ela indicou a paisagista Rosa Kliass. Consegui o telefone de Rosa, liguei e ela topou participar desse projeto! Desde então estamos trabalhando juntas na elaboração do projeto, na escolha das plantas e dos fornecedores. Fizemos algumas reuniões na casa dela, alguns encontros no teatro com a Cia e agora estamos fechando o fornecedor das plantas.

*O que isso significa para o Oficina?*

A presença de Rosa nos aproxima e amplia nossos diálogos com os arquitetos urbanistas paisagistas, principalmente nesse momento em que o projeto do Anhangabaú da Feliz Cidade está cada vez mais concreto. É o início de novos diálogos!

*De que mais consta a arquitetura cênica da Macumba?*

Sampã, o Bixiga, a rua, o minhocão, a casa de Dona Ia Iá, o TBC, a casa onde Oswald de Andrade morou no Bixiga, o terreno do Silvio Santos, futuro Anhangabaú da Feliz Cidade, a Oca Restaurante TrocaTroca entre Terrenos, a rampa que une o Oficina de Florestas às duas portas de saída do Oficina liberadas, o Oficina, andaimes, tijolos aparentes, madeira, vegetação…

*O restaurante TrocaTroca já está sendo construído?*

O restaurante é uma oca indígena e já está sendo construído no Oficina de Florestas, fundo do Teatro Oficina. Ele será de bambu com estrutura de tora de eucalipto e coberto com lona plástica transparente e juta, para o público e os artistas verem o céu. Todos os acessos para o restaurante serão portas; o publico poderá entrar por todo o perímetro da Oca. O mobiliário será de mesas e bancos tipos praticáveis, nos quais o público poderá subir para aumentar as possibilidades visuais das cenas da Macumba. No plano central do restaurante estará nossa bigorna transparente. Também o balcão do restaurante é um diálogo com o Anahangabaú da Feliz Cidade; vamos construí-lo com os entulhos existentes no terreno.

*Sua participação no processo criativo da Macumba tem sido intensa, diretamente ligada às descobertas diárias dos atores. Fale um pouco sobre o seu dia-a-dia no Oficina desde o início do ano.*

No início do ano passamos pela fase das vacas magras, quando vários integrantes da Cia saíram e o cansaço acumulado pelas Dionisíacas reclamou seu peso. Esse período de dificuldades artísticas aproximou muito os sobreviventes com desejos ardorosos. Com isso assumimos o teatro total, transparente, integrado, sem egocentrismos e moralismos, onde todos estão envolvidos em tudo no troca troca direto entre os terrenos.

*Em que ponto a falta de verba envolvida na realização da Macumba afetou o seu processo criativo?*

A falta de verba não é motivo no Teatro Oficina para inibição de criatividade; criamos com muita liberdade, projetando o ideal e, se não tivermos verba para a realização desse projeto, adaptamos. Nunca partimos direto para a adaptação que o número na conta exige!

*Como está sendo conviver com sua nova equipe formada a partir da 1ª. Turma da Universidade Antropófaga?*

Maravilhoso! Comer essa vitalidade nova criativa cheia de vontade dá mais força e energia para macumbarmos! Trabalhar numa equipe de cinco arquitetos (Frederico Vergueiro Costa, Henrique Fisher, Marília de Oliveira Gaimaster e Pedro Felizes; três estudantes, uma formada e eu), essa mescla de níveis de formação e vertentes de interesse, tem dado um delicioso caldo. Nossos estudos passam pela arquitetura, urbanismo, paisagismo, teorias teatrais, construção pelas mãos dos cenotécnicos e das nossas próprias.

*O que as pessoas não sabem sobre o Teatro Oficina, mas deveriam saber?*

As pessoas deveriam comer o Tabu Teatro Oficina.


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