Gardner Minshew II Jersey Daniel Jones Womens Jersey  Entrevista com figurinista Sônia Ushiyama – Teat(r)o Oficina
Lendo

Entrevista com figurinista Sônia Ushiyama

Entrevista com figurinista Sônia Ushiyama

Arquiteta urbanista, artista plástica, designer e estilista, estudante de Shodo (arte da caligrafia japonesa), Sônia Ushiyama especializou-se também no figurino para teatro e cinema. Nessa área, seu currículo inclui trabalhos sob a assinatura de nomes como Osvaldo Gabrieli, José Possi Neto, Wolf Maia e Helena Ignez.

Figurinista do Oficina desde 2004, quando colaborou com a montagem de O Homem I, de Os Sertões, conhece de perto – ou melhor, de dentro – os altos e baixos de criar numa escala superlativa! Somente no ano passado, administrou diversos containers de figurinos na turnê Dionisíacas em Viagem, reciclando e recriando referências com a mesma rapidez com que os espetáculos eram transformados pelas experiências em cada cidade.

*Qual foi o ponto de partida para a criação do figurino da Macumba?*

O figurino pretende estabelecer um diálogo com o entorno urbano, através de materiais e texturas, da criação de uma tribo urbana. Ao mesmo tempo em que possui elementos da cultura indígena, como, por exemplo, a trama, utiliza materiais que são completamente do nosso uso diário. Muitas vezes até sucata que nós mesmos produzimos.

*Por que a opção em utilizar material reciclado?*

A escolha dos materiais não visa somente retirar algumas sacolas e embalagens do meio ambiente, mas despertar outro olhar para esses objetos. Os adereços estão sendo criados a partir do “lixo” tecnológico. São sucatas ressignificadas!

*Quais foram suas fontes de pesquisa?*

Já nas Dionisíacas essa pesquisa foi iniciada in loco por onde passamos, como em Belém e Manaus. Porém, outras fontes serviram de referência, como a própria Revista Antropofágica e os livros Grafismo Indígena (organizado por Lux Vidal), a História dos Índios no Brasil (organizado por Manuela Carneiro da Cunha), Hans Staden – Primeiros registros escritos sobre o Brasil e seus habitantes, e Cronistas e Viajantes, (volume da série Literatura Comentada da Ed. Abril), entre outros.

*Você está contando com ajuda de uma equipe?*

Contamos com a assessoria de uma grande expert nos teares, Lala Martinez Correa, e sua discípula Flavia Lobo, que também é minha assistente de figurino. Tenho ainda mais três assistentes, da primeira turma da Universidade Antropófaga: Amanda Mirage, Bruna Furlan e Rafaela Wrigg.

*Que efeito você pretende criar com a profusão de cores do figurino?*

Os índios utilizam cores vibrantes encontradas na natureza, como as das penas de arara, tucanos, papagaios, guará, pássaros presentes no habitat… Nosso habitat também é muito colorido… Mas essa profusão de cores deverá acontecer somente num momento específico.

*Você participou ativamente do processo de criação da Macumba. Isso mudou sua maneira de criar o figurino ou esse é um processo com o qual você já está acostumada no Oficina?*

Ativamente… Você quis dizer que eu coloquei a mão na massa? (Risos) Isso faz parte do meu processo de criação desde sempre! Fatalmente, no tipo de trabalho que desenvolvo e faço, isso se faz extremamente necessário, pois através da manipulação dos materiais, devorando-os com unhas, dentes e mentes, é que surgem ideias e soluções, sobretudo quando se trabalha com materiais que são retirados do seu uso e contexto habituais, com uma utilização além daquela para que foram criados, para se transformarem em uma indumentária ou adereço, por exemplo.

*Até que ponto cada ator tem liberdade para modificar seu próprio figurino nesse rito?*

Em figurinos que envolvem um coro grande e, ainda no nosso caso, que são acrescidos de muitos “ex-espectadores” que participam do rito, a unidade deve ser estabelecida com uma direção, e dentro dela você pode ter muitos nuances e gamas de “tipos”, tendo a liberdade da diferenciação dentro da unidade.

*Como é criar e trabalhar com orçamento praticamente zero, como foi o caso da Macumba?*

A minha sorte é que índio usa pouca roupa…! (Risos) Temos sempre que nos adequar à situação e procurar soluções que sejam viáveis dentro do que temos.

*Quais são os pontos altos e baixos de se criar um figurino para o Oficina?*

O interessante no Teatro Oficina é a transformação permanente das coisas que vamos mudando, evoluindo e transformando num processo de criação constante. Por um lado isso é muito estimulante, mas gera também muitos problemas que devem ser solucionados de imediato, muitas vezes em condições adversas em relação ao tempo e dinheiro.

*O que você acha que as pessoas deveriam saber sobre o Oficina e não sabem?*

Acho que o saber sobre o Teatro Oficina vem muito mais da experimentação/experiência de ver/viver um espetáculo do que das palavras que possam ser ditas.


Mitch Wishnowsky Womens Jersey