Evoé – Retrato de um Antropófago

Catarse, Ócio, Política, Afeto, Dionísio, Sexualidade, Exílio, Teatro… Tudo isso faz parte do filme *Evoé! – Retrato de um Antropófago*, de Tadeu Jungle e Elaine Cesar, em cartaz em São Paulo. O longa tem exibição gratuita e integra a série Iconoclássicos, do Itaú Cultural. Ele levou três anos de pesquisa e filmagens, realizadas na Grécia, no sertão de Canudos, em São Paulo e nas praias de Alagoas.

Nele, Zé Celso eterniza reflexões sobre a vida e sobre o Teatro, ponto de partida de todo o seu pensamento. “Ele fala sobre tudo, sem começo nem fim”, entrega Elaine, que chegou ao Teatro Oficina a convite de Tadeu, para a gravação das peças Boca de Ouro, Bacantes, Ham-let e Cacilda. Acabou desenvolvendo outros projetos no Teatro, como a coordenação de toda a equipe de vídeo durante as Dionisíacas em Viagem. Nessa entrevista, ela fala um pouco de Evoé e da experiência com o filme.

*De quem partiu a ideia de fazer o filme sobre o Zé?*
Do próprio Itaú. É uma série, Iconoclássicos. E eu já tinha feito também a exposição Ocupação Zé Celso, que aconteceu lá.

*E o título do filme, como surgiu?*
Vixe, foram tantos…. Ficou nesse!

*O conhecimento sobre o universo do Oficina ajudou em que aspectos na construção da obra?*
Eu sinto que temos uma proximidade com todo esse universo e isso acaba nos lavando a caminhos mais “íntimos”, a “atalhos”.

*O filme é um documentário?*
Não. O filme é o Zé pelo Zé. Não há datas, não há localizações, nem as peças de teatros foram creditadas durante o filme.

*Como foi feita a pesquisa para o filme?*
Eu já tinha boa parte da pesquisa levantada por causa da exposição. Chamamos uma pesquisadora que correu atrás de materiais de TV, jornais etc. Era muita coisa! Eu e Tadeu assistimos tudo já fazendo um pré select e daí ia surgindo algumas possibilidades de filme.

*Que imagens inéditas estarão no longa?*
Varias! Todas as gravadas. Muitos trechos lindos das Dionisíacas, trechos de ensaio.

*Como foi a filmagem na Grécia?*
Grécia foi incrível! Zé estava totalmente entregue. E aconteceu uma cumplicidade muito bacana. Ouvir Zé falando sobre teatro em Delfos foi um dos momentos mais emocionantes que vivi! Depois fomos a Coruripe, onde o Bispo Sardinha foi “devorado” pelos Caetés. Fomos a Canudos. E várias gravações em São Paulo.

*Você acha que o público vai se surpreender com o filme?*
Eu acho que o filme é um jato de energia! Quem for procurar um filme biográfico não vai encontrar.

*Ele pode ajudar a mudar, de alguma forma, a ideia que as pessoas têm do Zé?*
Em minha opinião, é o que vai acontecer. Muitos que acham o Zé um velhinho louco desbocado vão se surpreender.

*Como você definiria o Zé hoje?*
A única pessoa na vida que só fez o que quis.

Para conferir a programação de EVOÉ em todo o BRASIL, “clique aqui”:http://www.itaucultural.org.br/iconoclassicos/agenda.cfm.