Gardner Minshew II Jersey Daniel Jones Womens Jersey  Manifesto-Proposta Bixigão – Teat(r)o Oficina

Manifesto-Proposta Bixigão

Modesto Carvalhosa
Paulo Henrique dos Santos Lucon
Advogados

São Paulo, 15 de janeiro de 2002

À
Douta Promotoria de Justiça do Meio Ambiente
At.: Dr. Roberto Carramenha
Estado de São Paulo

Os membros da Associação de Teatro Oficina Uzyna Uzona não concordam com o projeto de construção do empreendimento denominado Centro Cultural e de Entretenimento Bela Vista por ser ilegal conforme sustentado pelo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi nos autos da ação civil pública proposta contra o Grupo Silvio Santos (12a Vara da Fazenda Pública, processo no. 053.01.023.151-2).

Em substituição total ao mencionado projeto e levando em consideração a proposta de criação de 9.000 empregos e o investimento de aproximadamente R$$ 75.000.000,00 previsto para sua construção, os membros da Associação de Teatro Oficina Uzyna Uzona propõe que esses recursos sejam aplicados na área social, particularmente na revitalização do Bixiga transformando o espaço destinado ao shopping, em torno do Teatro Oficina tombado, num centro de formação cultural e artística da população de São Paulo.

Para tanto propomos a discussão pública do manifesto a seguir, gravado também em vídeo pelo Presidente da Associação deTeatro Oficina Uzyna Uzona:

Bixigão; Estádio de Theat(r)o Musical
São Paulo 448 Anos

CENTRO DE FAZERES DA NOVA CIDADE DA IDADE DA ANTROPOFAGIA

Ágora, Bucolium, Zona, Libido Social.
Um Centro cultural construindo-se na sociedade de informação como reflexão, estudo, crítica, participação, atuação popular, sobretudo invenção, festa, prazer: Teatro,

SEMPRE EM TORNO DE UMA OBRA DE ARTE QUE POSSA SER ALIMENTO E ORIENTE DE TODOS OS ACONTECIMENTOS.

1- O dia em que fomos reapresentados ao Centro Cultural de Entretenimento Bela Vista.

Diante do Procurador do Meio Ambiente, Dr. Roberto Carramenha, os representantes do Grupo Silvio Santos nos mostram o projeto do Centro de Cultura e Entretenimento Bela Vista.

Nós conhecíamos por um belo desenho que nos foi enviado a proposta.
Compreendemos felizes o esforço que foi feito: os muros do beco sem saída caíram, foi nos concedido um espaço ao ar mais ou menos livre do tamanho do Oficina, diante de um muro paredão mais largo e uma saída por uma rampa subindo e outra descendo como saída para a Rua Japurá.

O Centro não é um centro, tem fachada e tem fundo como a estátua de um santo católico. A Rua Japurá que poderia ser uma das frentes, vira fundo. Nós teríamos uma saída ainda que envergonhada para ela, pelos fundos.
Nossas exigências, portanto, parecem estar satisfeitas.

2- Para haver negociação é preciso não estar subordinado a pressão de uma fatalidade. São dois mundos tentando ser criadores, não limitadores.

Trata-se de um Projeto Cultural Comum.
Eu declarei ao procurador, que era difícil uma negociação diante da pressão da considerada fatalidadade de um empreendimento que nós conhecíamos, diante da ignorância dos que nos pressionavam a respeito do que nós desejamos não somente para o Teatro Oficina, mas para o quarteirão onde se passa a ação desta peça, para o Bexiga, para o futuro das cidades, para o globo.

A contracenação, a negociação que visa um entendimento depende de um reconhecimento mínimo dos conteúdos em discussão.
Paulo Mendes da Rocha, completador do trabalho iniciado por Lina Bardi e Edson Elito, autor de um projeto para a área que envolve um milagre de um sim para o Minhocão, com sua resignação em ágora em Praça de Cultura, recusa por exemplo, a participar deste embate na justiça enquanto for uma questão de centímetros para cá ou para lá.

3- Convocação de Paulo Mendes da Rocha para falar livremente.

Penso mesmo que neste momento uma convocação de Paulo para falar abertamente sobre o Projeto ágora seria muito reveladora. Paulo estudou muito o Bexiga. De sua cabeça nasceu até a idéia de um lago na Zona que o Bexiga escorre na 9 de julho. É um arquiteto artista, um gênio, tem que ser ouvido.

4- Está-se discutindo o Centro Cultural de uma Metrópole no século 21.

A negociação só é possível se criadora e pública. Se os negociadores enfrentarem as diferentes visões de mundo, do público, de política cultural contidas nos projetos e partirem para a criação.
Há uma imposição. Ou você aceita a discussão monetarista como um axioma ou não tem conversa.

Numa área tão fundamental para São Paulo, o centro cultural da metrópole, é preciso uma discussão de valores não somente financeiros, mais valores humanos, sociais, políticos, estéticos e de saúde libidinosa. O urbanismo e a arquitetura não são neutros, encenam uma ideologia, um conceito de vida.

5- Itens

Eduardo Velucci nos enviou gentilmente para o Teatro o projeto do Centro.
O advogado Dr. Marcelo Terra, pediu que colocássemos por escrito o que queremos diante da proposta que nos fazem. Em itens. O mais rápido possível. Dia 15 de janeiro de 2002. É um começo de negociações entre o ócio e o neg-ócio. Há tudo por se criar a partir do momento que nasça o desejo do entendimento.

6- Dia de Oswald

Hoje, 11 de janeiro. 112 anos de Oswald de Andrade, poeta do modernismo, da antropofagia, precursor do tropicalismo. Nasceu na Barão de Itapetininga, vinha brincar numa chácara da rua Santo Antônio e morreu num apartamento da rua Ricardo Batista, no Bexiga, e desejou, viu o Teatro de Estádio:

“Estádios de nossa época, onde se há de se tornar uma realidade o teatro de amanhã, como foi o teatro na Grécia, o teatro para a vontade do povo e para a emoção do povo…” Oswald de Andrade “Ponta de Lança”.
E tinha que ser na ágora onde o poeta fóra da Torre de Marfim, abre seu abcesso fechado em Praça Pública na ágora, no Social! Libertado como escreveu na “Morta” peça que inspirou a invasão do sol no Oficina, no país sem luz própria, o Teatro.

O movimento arquitetônico urbanístico do Oficina em ágora, espaço público, é totalmente poesia concreta realizando-se das antenas e raízes deste grande e ainda por se redescobir filósofo, poeta do Bexiga.

7- Primeira Coragem: proposta

Estamos no Brasil, num século que abre com a guerra e terrorismo. Guerra ao Terrorismo e Casa dos Artistas. Neste embate específico entre as partes, vivemos exemplarmente no embate: Grupo Silvio Santos & Oficina, essas contradições do mundo, mas em segredo.

Passo a falar diretamente em carta aberta como os que nos pediram propostas em itens: Se nos abrirmos publicamente, vamos brincar de brigar primeiro mas, depois, em vez de nos massacrarmos, podemos encontrar o inverso de nos consumirmos, nos comermos, produzindo, trabalhando juntos, começando por transformar nossa disputa em espetáculo gravado sem fronteiras, exatamente como na “Casa dos Artistas” transmitido ao mesmo tempo que juntos encenamos no Quarteirão tal com ele está. “Os Sertões” de Euclides da Cunha, agora em 2OO2, centenário do livro em co-produção.

8- Centro Cultural temático no Centenário de “Os Sertões”

Da nossa parte, mesmo se vocês não toparem estamos fazendo juntos esta encenação. Aqui, agora, nesta carta pois o impasse entre “Sertões” e “República” é o mesmo desta contenda que já nos reúne há mais de um ano.
O que há cem anos se revelava no livro que reinventou o Brasil é o que se vive no mundo, a mesma Terra, o mesmo Homem, a mesma Luta:civilização & barbárie, terror da ordem & desordem do terror universo liberal republicano & o que está fora dele. Mas, tem um porém.

Nós não vamos reviver o livro para fazer a missa do massacre, nem vocês. Cabe a nós agora reinventar outro Brasil, onde os termos das contradições não se excluam criando o nunca visto: a captação das energias guerreiras antípodas para a cachoeira transmitida digitalmente. O Sertão do seu centésimo ano vira cachoeira entre o Grupo Silvio Santos, a SBT, o Teatro Oficina Uzyna Uzona, Artistas de todas as áreas, técnicos, pessoas aprendendo, ensinando o Público ativo não somente espectador. (mas quem quiser pode ficar só vendo).
Não sei se devia deixar esta decorosa proposta para o fim porque a estas alturas vocês vão estar dizendo que isto não tem nada a ver com o assunto. Mas vamos provar que tem.

9- O Projeto do Shopping Cultural.

No fim do ano passado nos reunimos, estudamos o projeto Julio Neves do Centro. Para o que pretende não há melhor. É ótimo. Uma Torre que começou enfeitada como um castelo dos Jetsons, agora é gêmea da torre da caixa dágua do Sesc Pompéia, de Lina Bardi. Sorveu o glacê do bolo de noiva da Disneyworld: um Caralho explícito maior, mais alto, do que o Copan, o poderio do Rei da Vela nos domínios do Bela Vista, a cruz da primeira missa para um restaurante onde se come vendo e sendo visto por toda São Paulo!

O reino do novo Rei do Brasil.
Sem ironia mas com fé, viva Silvio Santos! Viva seu atual reinado!
Da tua torre, nem com luneta se verá um mendigo. Eles comprarão casas e somente os painéis de hotéis multi-estrelados duma mais que Broadway Brasileira.
A estrela da novela mexicana no seu coquetel de estréia de lá verá a Bexiga, perdão, a Bela Vista e seu empresário lhe dirá: “Você tem a Bela Vista a seus pés”.

Os executivos terão inúmeras salas para suas convenções e fofocas. Depois terão o Credicard Show, a Fenac, os teatros Alpha, as Academias de Malhação, Centros da Convenção , a praça da alimentação, uma micro Orlando para seus garotos e lojas satélites, 10 cinemas de 80 lugares, passando o mesmo filme: Bilheterias, bilheterias, e bilheterias… E para sair do sério dentro do “espírito boêmio” do bairro virado metrópole, uma Pista de Dança com um subsolo riquíssimo em estacionamento, de onde todos se retirarão seguros aos pares ou em bandos como coros orientais de executivos, com garotos(as) de programa para seus lugares, famílias pra os lares, hotéis, ou motéis com a certeza metafísica que consumiram.

Mas que ficou faltando alguma coisa, sempre falta. O quê? No meio daquele templo a minhoca do Oficina dá para um Playground, que chamam Teatro Grego e sai em fila por trás, pois como um palco italiano, o Shoppping Centro tem repito fachada e muro dos fundos. Não é um centro, um Cieps do capitalismo popular, onde nada se cria, tudo se consome. Um Templo de Consumo. Aleluia! O projeto tem tudo que conhecemos na culinária do mundo do entretenimento americano junto. Ideal para montar “Ascensão e Queda de Mahagony” de Bertolt Brecht.

10- Bexiga Centro ou Bela Vista Center da Paulicéia 448.

É o início com esta torre e este centro modelo de cultura e entretenimento, de uma implantação onde o Bexiga vai desaparecer num qualquer lugar, uma Barra da Tijuca sem Lúcio Costa, sem o mar, uma Miami a seco. Talvez caiba um Piscinão.
O projeto de Lina Bardi do Oficina é o de um embrião de uma cidade, o modelo do Shopping de outra, ou melhor do mesmo DNA da mesma que vem sendo construída há 448 anos. Mesma idade do nascimento da antropofagia com a devoração do Bispo Sardinha. Estamos, portanto, neste aniversario de São Paulo vivendo este tupy or not tupy.

Digo Sim a este projeto se examinar pela sua natureza financeira como um novo Centro de Diversões e Entretenimentos da cidade mais claramente: Centro da Cidade, uma mais que Broadway. Digo Sim, se fosse tudo por dinheiro. O Bexiga entrou para a Operação urbana, logo vira Bela Vista, vira Centro da Cidade. A Torre do novo Marco Zero de São Paulo no emergir do Vaticano da SBT, de Silvio Santos vivovirando o Rei do Brasil, o Rei da Vela!

Maravilhoso! Mas um espetáculo já conhecido. Se fosse tudo por dinheiro! Mas não é.

11- O Rei Merece Mais

Este novo Rei sinceramente, merece mais. Já pode aposentar a fatalidade do Rei Midas. Concordo que o Bexiga seja o Centro porque é o umbigo cultural da Cidade, pode como todo centro quer e ser o centro do mundo, de um mundo, de muitos mundos. Já conhecemos estes centros em muitas capitais de capitais de mundos, o centro do Vaticano do Consumo culinário da Imagem do Espetáculo Happy Hour do Mundo, com muitas sagradas bilheterias.

Este é o mundo que conhecemos, e que está como está aterrorizado, com seu próprio espetáculo bíblico de horror de sua própria produção de drogas, de terror, de calotes, exílios, refugiados de ditaduras econômicas, et les miserables. Tudo porque rejeita, reprimi, exclui o que não entra na sua ordem. Os gregos foram sábios, instituíram em Atenas o Terreiro das Fúrias onde todo o rejeitado do social era praticado, transmutado. Daí veio a Tragédia Grega, a maior criação de arte pública da história da humanidade.

12- Centro de Cultura de Importação ou Exportação? Produção ou Consumo? That is the question.

O centro de uma Cidade hoje, pós 11 de setembro, não tem obrigação de ser de diversão mercenarizada. Saímos culturalmente da imposição trágica do mercantilismo. Pode ser o de produção de arte e de vida, um centro de exportação e não de importação.
Centro Produtor de uma cultura de Exportação, para lá da Benetton, ou da Factory de Andy Wahrol.

A overdose financeira do capitalismo provocou no entretenimento a tagarelice, o papo furado, a especulação. Mas a verdadeira diversão é criar, produzir, jogar e inventar o jogo. Atuar no social por amor a si mesmo, para produzir outra sociedade, sociabilidade. Além do saldo, as multidões estão famintas daquilo que não se compra e que podem fabricar juntas com a participação de sua energia criadora. A popularidade dos jogos da SBT são vanguarda, sintoma de uma multidão que quer jogar o jogo dos valores da vida. É canalizada para o dinheiro, mais quer mais está querendo mais. Mais dinheiro e mais não dinheiro.

13- Bexiga mire-se na Lapa, no Recife velho. No Candial.

No Rio de Janeiro, a Lapa voltou a ser a Lapa. É o ponto maior do mapa do ex-Distrito Federal. Salve a Lapa! Sexta-feira ela é Federal e Negra, é capital.
Todo Diáspora Africano carioca com seu luxo de Madame Satã, ocupa o novo centro Vivo do Rio.

A cultura dominante africana na ginga do mundo futuro que o presente engravida, esparrama-se pelas escadarias de Santa Tereza, azuleijadas por um artista do bairro num chão brilhante de subida de estrelas, esquentado por milhares de bundas assentadas em todos os seus degraus, assistindo as ruas e casas abertas cheias da Lapa funkando. A “Fundição Progresso”, o “Tá na Rua”, o “Circo Voador”, o Teatro, foi a vanguarda recriadora onde as putas, poetas, malandros, já haviam reinado, onde a Corte portuguesa capitalizando Portugal no Brasil havia feito os Arcos. A Lapa está virando um Maracanã de cultura popular viva. Um Milagre.

No Recife, a Velha Sinagoga origem de Nova York está lá musicada pelo Mangue Beat, pelos Galpões do porto ocupados por grupos de teatro, maracatú, reinado de Chico Science. Sem esquecer a maravilhosa ágora do candial em Salvador dirigida pelo gênio de Carlinhos Brown e projeto axé etc..

14- Bexiga, bairro inventado como centro internacional cultural por artistas.

Digo Sim ao Sim. De um Bexiga assim revitalizado, revivescido, das suas origens tupys e negras: o quilombo de Libertas, a escrava alforriada que ganhou a “Chácara do Bexiga” do seu Senhor que ia até a Avenida Paulista.
De lá veio a Glória da “Vai-Vai”, até hoje sem quadra de ensaios que faz da rua, sua casa de artista.

Vieram os emigrantes do império Romano. Fizeram a arcos casarões, palácios de fachada que você não dá nada por dentro, como a casa do fotógrafo inglês, Granger, que por dentro é um Palazzo.
Os negros foram para as cabeças de porco e para os cortiços, e veio o Samba de São Paulo.

A ópera italiana no Zeus, Adoniran rebolou. Abriram-se as cantinas e o TBC. O primeiro com uma companhia permanente de teatro e de cinema, a Vera Cruz. De lá, saíram vários territórios livres de produções verdadeiras, cidades principados de teatro. Viva Franco Zampari!

Sérgio Cardoso e Nídia Licia, Maria Della Costa, Cacilda Becker, Arena, Oficina, cada lugar um universo de auto produção de exportação. Um país, um lugar único como cada cantina tendo seu sabor específico. Os artistas de teatro, do samba, da poesia moravam no Bexiga. Pensões de estudantes, eu mesmo morei na Condessa São Joaquim para fazer a Faculdade de Direito.

15- Origem e Destino: Bairro não de boêmios, mas de artistas criadores de sua própria maneira de viver, produzir. Omulú, deus bixiguento da cura.

Artistas, senhores de sua própria horta, de seu próprio pomar nessa diversidade provocando toda a cidade como um todo que trazia o nome dos buracos na cara da peste, da resistência à peste, da reivenção permanente da doença em saúde de Omulú, o deus bexiguento do Bexiga.

16- Teatro Oficina, o que restou de uma prática passada agora futura.

O Teatro Oficina é um teatro inaugurado no dia 16 de agosto, dia de Omulú de l961, virou três vezes para virar terreiro eletrônico. Hoje centro cultural orgânico em fase de plugação virtual e transbordamento de toda cultura retida, primeiro pela ditadura militar depois, pela financeira. Agora, plantando um vasto pomar sem dono.

No universo pós dia 11 de setembro, este núcleo é o Guesa, isto é, o último índio de um tipo de teatro-terra, cultivado por companhias, coletivas que se suscendem. Poderia ser uma espécie em extinção, mas justamente na sua solidão veio de encontro à tendência natural de todo teatro novo de São Paulo configurada no movimento “Arte contra a Barbárie”, das novas companhias paulistas de repertório ocupando o espaço para cultivo de uma maneira de ser. Teatro de Companhias, livres, independentes que querem produzir-se. Assim como esta arte é mambembe, ela parte sempre de um lugar onde ela concebe de um barraco de fabricação onde ela tem seu suporte, seu estúdio de artista como o cineasta a câmera, o violonista o violão.

O teatro é uma arte de ocupação de espaço para criação dos rituais públicos de inter-relação humana, visando o movimento, a transformação, e esta arte como todas transcende atualmente a bilheteria, e assim como a novela da televisão, ela deve ser criada original e visar todo o público, independentemente de seu poder aquisitivo. E tende cada vez mais em jogar com a sociedade de espetáculos como sua fonte desmistificadora, criadora e revitalizadora para a sociedade mais do que do espetáculo. É um teatro em que público não somente assiste, mas atua. Ensina e aprende.

Coube este destino ao Teatro Oficina. De ter acumulado uma experiência e um acervo de mudas capazes de expandirem-se socialmente. Grávido de uma história de mais de quarenta anos, está prenhe de um projeto para seu entorno Tombado, que aliás deu origem ao seu terceiro nascimento como o Teatro Oficina de Lina Bardi e Edson Elito.

Lina concebeu num canudo de terras um teatro de passagem, um link, uma liga, uma tomada entre a Rua Jaceguay e o Anhangabaú através de um Estádio de Teatro Eletrônico ao Ar Livre, com teto retrátil acomodado a topografia do terreno do atual estacionamento do Baú da Felicidade. Paulo Mendes da Rocha completou ligando o Minhocão e terrenos remanescentes a este canudos, imaginado da Rua Adoniran Barbosa até a Rua Japurá numa planta baixa como duas taças ligadas por suas hastes. Uma rua e duas praças dando para outras ruas, um delta irrigador da cidade, com criação e consumo na fonte.

A primeira visão de Paulo, foi uma pratileira espelhada do Bar com pingas de todo mundo. O projeto nascido de uma história de resistência sem resistência a transformação é cosmopolita, não há nada no mundo parecido, é de exportação.

17- Teat(r)o Futebol

Esta expansão é uma necessidade vital das sementes culturais de mais de quatro décadas, que agora contém muitos erros preciosos, muitos acertos, muitas apostas para o futuro de uma produção de invenção de vida convivida de artista a ser partilhada e principalmente potencializada pela inclusão no seu processo de todo o mundo. Chegou a hora do Brasil viver seu teatro popular como um futebol. Chegou o momento em que é possível o Teatro ter seu Estádio e tudo que envolve esta arte com todo poder e punjança que já existiu na Grécia.

O VAI-VAI , o TBC, o Samba de Adoniran, a Poesia de Oswald, o Teatro de Cacilda, e os delírios Tecnológicos do terreiro eletrônico vai dar agora num Estádio Tecnizado de Teatro, num pomar no sentido da ecologia urbana de lugar onde em se plantando dá frutos entornado, abraçado de tudo que possa dar vida a este salto de popularização de Teatro. Quando ao público vai ver “Bacantes” não sai mais do teatro, quer mais. Quer fazer teatro, dançar, namorar, quer mais que consumir, quer produzir, gerar, fecundar.

18- Exercício de Imaginação. Antônio Conselheiro encontra-se com Marechal Bittencourt no meio da Guerra de Canudos e muda o destino do massacre.

Tudo que for necessário para fazer uma peça de Estádio e para acolher sua recepção poderá ser feito, e a melhor maneira de nós fazermos a entender, é propondo ao menos como exercício de imaginação, a produção conjunta de uma peça de Estádio: “Os Sertões”, por exemplo.

É um livro onde há o arraial de Canudos cercado pelo Exército que quer civilizar os bárbaros a pranchadas. Vamos supor que Antônio Conselheiro, João Abade, O Beatinho, Pajeú, as Beatas de Canudos conduzidos pelo jornalista, poeta e cientista Euclides da Cunha no meio da Guerra se encontrassem com o Marechal Bittencourt. O presidente Prudente de Morais, os Nizan Guanaes da época se propusessem ao invés de se matarem, unir as forças da produção de mutirão de Canudos com as do Exército e potencializarem os dois Brasis, num terceiro Brasil desconhecido.

O Grande livro de Euclides e a Epopéia que os brasileiros viveram tanto no Exército como em Canudos, valem neste ano eleitoral este escândalo de contracenação de contrários. Uma novela que vem a tona hoje na segunda semana do ano 2002, para começarmos a gravar hoje no tribunal do meio ambiente. Se não gravarmos, estará gravado na nossa memória e logo passado para anotações, daí para cena.

Mais uma vez vão dizer, não estamos de acordo, isto não tem nada a ver com o que estamos discutindo. Ora, estamos tratando do centro cultural de São Paulo, o Teatro Oficina de quatro décadas de experiência de continuidade da contribuição do modernismo, do tropicalismo, do teatro universal, e o grupo com o protagonista de que leva o nome, tornado o mais onipresente deste ano em tudo no Brasil, Silvio Santos holístico.

Acha que um teatro pode burocraticamente ignorar toda a riqueza desta novela e ficar numa discussão abstrata, fora do tempo e do espaço?
Fixar-se em duas concepções segundo a limitação dos nossos conceitos, presos a velhos esquemas e preconceitos? De repente, juntos não podemos fazer alguma coisa a altura do momento excitante em que vivemos? Vamos cair no lugar comum?

19- Abrir o jogo, debate público em ação construtiva de um trabalho.

O que há para esconder? Eu sei que o segredo é a alma do negócio, mas o que há para esconder que não deva ser mostrado. As guerras atuais escarafuncharam tudo, está tudo a vista. A sociedade de espetáculos atingiu um tal ponto em que é inevitável as câmeras voltarem-se para os que fazem o espetáculo do mundo, e para os segredos dos seus negócios este slogan foi superado pela revolução digital. O maior negócio, o da China, seja agora talvez revelar seu segredo. O Teatro, artes, a literatura, são portas abertas na revelação dos segredos. Eu quero passar todos os segredos que produzem meus maiores negócios, como é o de estar em cena para mim. Acho que temos de ensinar um pouco das nossas malandragens profundas para todo mundo.

Seria maravilhoso que Júlio Neves viesse se juntar ao seu colega de classe Paulo Mendes, a Edson Elito, ao paisagista Fernando Cassel, a Lina, para criarmos juntos alguma coisa que nunca se viu. De Silvio Santos, o homem que ganhou de Bin Laden em Mídia no Brasil, é o mínimo que eu espero. A audácia de não fazer um Centro lucrativo e previsível, mas de surpreender com uma aliança tão absurda e investir numa jogada de reinventar o Brasil e reinventar o mundo, de criarmos juntos com muitos artistas e crianças brasileiras de todas as classes e idades, um espaço cultural o mais móvel e rápido possível em torno de temas.

Neste ano viveríamos “Os Sertões”. O que é preciso para os “Sertões”? A Formação de uma pequena humanidade de atores, músicos, técnicos capazes de encenarem de um lado uma comunidade de jagunços, nordestinos, a população mais viva do Bexiga atual com fé na sua capacidade de reviver sua própria cultura comunitária, de mutirão, seu forró de Gonzagão pós Chico Science, seu Forró do Avanço como já tivemos aqui no Oficina nos anos 80, nordestinos que foram a rocha viva da vitória do Oficina Tombado, sobre o Oficina quase comprado pelo Baú.

A formação de tudo que é preciso para um exército com todo o poder da Republica, uma rua do Ouvidor, um baixo atento, informado, fofoqueiro, a opinião pública da classe média mudando os destinos das fatalidades. Comendo da farinha de guerra, da mandioca aos tofús, nas cantinas cabarets. Todas as condições do musical americano para este exército. Toda as tecnologias, a cyber informação e o universo digital nos seus níveis mais sofisticados de revelar as entranhas do corpo humano, da terra, da sociedade construindo-se.

Toda esta humanidade estudando-se junto, revezando os papéis. Liberando com a força do teatro todo seu desejo de transmutação inter-relacionada e pública. Parece “Imagine” do João Lennon, ou as utopias da bondade dEla, sua Santidade, o Papa, mas não é.
No espetáculo do espetáculo, na cultura e no entretenimento, na ciência, no estudo, no amor, tudo é possível. Mas vocês vão dizer, é um negócio: o show business argumentarão. Mas o show business padronizado é um negócio que está ficando chato, sem criatividade, sem tesão. Onde o jogo está com as cartas marcadas demais e o resultado, a produção de tédio. Os Centros de Entretenimento e cultura não vão mais produzir tédio e terrorismo. Vamos fazer business do século 21.

Estou oferecendo esta consultoria grátis para um grande empreendimento patrocinado pelo Grupo Silvio Santos. Incluindo o Minhoção e as Torres do Arquivo Eletrônico do Teatro e A Casa de Produção com o Bar de todas as pingas que Paulo Mendes da Rocha viu.

20- Primeiro passo, tomar conta do espaço sertão.

Vamos ser mais concretos, partir do que está. Dos espaços tais como estão, dos lugares já comprados como a Sinagoga, o prédio da esquina Abolição Japurá, e todo nosso conflito se derrama na armação, encenação da história de um conflito e do massacre de Canudos que é chave para que o Brasil de um salto. Montamos juntos todos os cursos necessários do que o livro pede. Todos os conselhos.

Juntamos todas as traduções do livro no mundo e criamos a partitura musical, com músicas a partir das letras de Euclides, de várias culturas: China, EEUU, Islã e do Brasil. O poeta Carlos Renó vai colher trechos do livro e dar para os compositores do Brasil musicar. “Os Sertões” é um musical do Bexiga no mundo. Seu destino é formar um Cieps de cultura, ciência, política, história, brasileira, com todos os seus criadores. O próprio povo periférico que já através da Petrobrás recebe bolsas para participar em mergulhos de artes que levem a uma participação em um espetáculo desta monta.

Investimento social em leituras coletivas do livro, cursos sobre todos seus multifacetados aspectos: geologia, física, metereologia, ecologia, (Os Sertões é a primeira grande obra de ecologia, na acepção mais vasta que inclui a economia geral da vida no combate ao martírio da terra conseqüente do martírio do próprio homem). Matemática, artes marcias, ocidentais, estratégia, marketing, literatura, língua shakesperiana de Euclides, capoeira, dança, maracatú, taichi chuan, sertanejo, yoga, história do teatro, teatro, muito teatro e circo, e dança, raves sagradas, artes cênicas.

Augusto Boal poderá organizar uma Universidade do Teatro do oprimido. O grupo dos teatros de deficientes mentais Ueinz, os presidiários do Carandirú, os meninos do Bexiga e tantos grupos viriam se juntar! A SBT abriria toda uma área experimental de estudos da TV da era digital, Canudos no mundo cybernético com pessoas vindas de todo o Brasil. Estas idéias todas estão registradas no coração deste escrito, mas se quiserem copiar não vão saber fazer. É alguma coisa que tem de ser feito abertamente, dando prioridade a produção, a criação, ao aprendizado e a humildade do aprendizado de nós todos. Ivaldo Bertazzo também poderia trazer seu saber trabalhar multidões. E a SBT poderia fazer “A Guerra do Fim do Mundo” de Vargas Lloza, uma novela global que é uma toca não montar este ano.

21- O que o Bexiga pode poder e precisar?

Mas a questão que se coloca, deve ser debatida e produzida publicamente é a de saber se São Paulo precisa de mais shoppings culturais ou não.
Se o Bexiga com sua configuração geográfica, não totalmente verticalizada, e sua possibilidade de ser um centro de artistas, lugar onde se vai consumir o que lá se produz, se cria, se exporta: produção e vida de artista, ou vai ser uma área turística de consumo, de “bohemia” e de exibição das grandes corporações. No espetáculo da cidade de São Paulo, o Bexiga deve ser um lugar de liberdade onde estará acontecendo sempre alguma coisa imprevisível.

Nesta virada do mundo, como diretor do Oficina, sinto que desejo dizer sim a tudo que criei aqui até aqui e, que agora está a ponto de realizar-se pleno no social, na ágora. Mas devo dizer-me a mim, a meu trabalho, não? Diante de um projeto que o interesse está em gerar 9000 empregos, por uma aplicação de 75 milhões de reais, e que tem sua qualidade maior exatamente na sua forma arquitetônica-urbanística de Shopping Cultural, de fazer render este capital e garantir esses empregos? Vivo sem dúvida uma situação trágica.

Parece o quinto ato de uma tragédia. A contracenação que eu esperava entre dois tipos de teatro tem sido difícil encontro uma posição financista fundamentalista, no poder público, estado, município, no tudo por dinheiro. Este dado é tomado como tabú, indiscutível, metafísico, hegemônico. 9000 empregos – 9000 trabalhos de criação, 75 milhões – investidos na infra estrutura de tornar público e praticável o Bexiga, praças verdes, confortos urbanos, produções culturais digitalizadas.

Trabalho social, educativo de artístico para que o Teatro de Estádio se transforme numa riqueza cultural e econômica como o futebol.

Executivos & populares, vanguarda econômica & vanguarda artística & população teatralizando seus conflitos e contradições, projetados nas criações coletivas do Bexigão. circo romano, muvucas GLS, e fanáticos heteros, Rock in Rio, sinagoga com rave ecumênica, com raves de todos os credos, músicas e danças sagradas de todos os deuses.

Um trabalho em progresso que vai sendo determinado arquitetural e urbanisticamente pela sua evolução conjunta. Investimento para grande rendimento a médio prazo. Invenção de uma nova paixão nacional: a novela sem fronteiras das superproduções coletivas. O grupo Silvio Santos que criou a vanguarda no capitalismo popular, pode saltar para um investimento social com sua experiência, terminará por fazer multiplicar ao infinito o capital investido.

Minha proposta é de um investimento desse porte e até mais, para todo o Centro da cidade cultural, o Bexiga como Bexiga. Com seu casario, com uma ampliação maníaca de todos os seus pomares possíveis e impossíveis no seu atual deserto, do seu passado, de suas saudosas malocas e castelos, na folhagem excessiva e sombria que cobre a casa de Dona Iaiá, que os homens com as ferramentas não vão derrubar , se somem construções urbanas que o Bairro nunca teve para virar o centro cultural de uma cultura viva de São Paulo futurista, mas com gente, muita gente e muita tecnologia e muita, muita produção.

Que se crie uma infra estrutura pública na restauração de muitos espaços e no equipamento onde se desenvolva um trabalho de arte, educação de artes populares e eruditas, estudos que seja todo ocupado com Oficinas, Uzynas Uzonas, Estúdios, Sítios de Arte, como uma universidade popular onde todo saber da gaia ciências das periferias venham se encontrar nesta periferia, que ela não saia daqui.

Mas que não fique como está agora, periférica, miserabilisada, mendiga, assaltante, sem teto. Que essa quantidade, empregos e dinheiro, seja investida na transformação de seus habitantes, os que quiserem aqui estar, ser um lugar não para as famílias passearem, mas para quem quiser não desistir da Ronda, o samba hino de São Paulo, e precisar sair na fissura da mais nova aventura e reinventar uma cidade pelo seu centro cultural velho, ressuscitado criança.

Sei do que sonho para aquele quarteirão e sempre pensei que os reis do Brasil iriam se orgulhar do que nasceu nele. Já teve sinagoga, terreiro, igreja protestante com corais bachicos maravilhosos, partido comunista, UEE, PT, centro de meditação japonesa, Baú da Felicidade, Teatro Oficina. Era um quarteirão cabeça. Jaceguay, rua do que come cabeça. Vieram aqueles prédios enormes, com o nome imenso de SS, como nos blocos das grandes corporações americanas, o sonho americano.

Misturado como toda miscelânea no Bexiga, tudo bem. Mas aos poucos foi comprando tudo e botando tudo abaixo, criando a tensão Quarteirão do Silvio Santos, agora Bela Vista Las Vegas.

Tudo disse sim, não sei porque no Oficina eu disse sim, ao poder que o lugar tinha criado e tenho a pretensão de que existe uma força indivina popular não informada, desligada, mas que atenderia ao chamado de um trabalho cultural forte que como artista com vocês, eu posso demonstrar através de um trabalho coletivo com os “Sertões”. Não sei abranger todo o Bexiga, muito menos todo o quarteirão. Vou aprender, vocês e todo mundo podem me ensinar. Sei que se este assunto fosse deixado de ser tabú e Silvio Santos em pessoa viesse ser pessoa aqui também, se quiser passo meu papel de Antônio Conselheiro e o dirijo ou vice-versa.

Sua fortuna foi construída como camelô, é o deus dos ambulantes, exploração, devoração, adoração, não sei. Ele tem a sabedoria com o dinheiro a ponto de ser artista do dinheiro e começou do centavo. Sua filha na tragédia “Fernando Dutra Pinto”, revelou o desejo do pai. Todos os jornais repetiram o release, desfilou no Sambódromo do Rio, foi seqüestrado, estourou na Casa dos Artistas e finalizou o ano com o desfile de políticos, coroando-o rei do espetáculo e Maluf do simpático Bobo do Rei ( adoro, não tenho nada contra).

Sou um dramaturgo atormentado por estar vivendo diante de tal novela, dentro dela, mas fora dela, sujeito oculto, vivendo a clareza de estar vivendo esta situação mas sem saber fazê-la emergir com toda sua imensa teatralidade. É impossível discutir sério a questão de um Centro Cultural fechando as asas do Oficina, sem ser capaz de trazer a tona esta novela.

É de interesse do que, de quem? que esta novela não apareça, que não seja dada clara ao público? Mas não sou somente eu que estou jogando meu talento de artista de teatro fora, se não consigo criar um poema a altura deste acontecimento. Todos nós, juristas, partes, responsáveis, estamos num encontro para marcar o século. É grande demais! E eu, sou pequeno diante de tanta grandeza. Devo ter a possibilidade de elaborar publicamente este projeto com muita gente. Abrir a zona para todos os puta artistas criarem. Com dor de dente, dopado, indolor, mas incolor, luto com minha cabeça e corpo, pois tenho certeza que a formulação mais clara se se busca vem.
“Se disserem desista, esta busca é inútil. Eu não desistia”.

22- “A arquitetura dos homens de conhecimento”

“Será preciso entendermos um dia , talvez um dia próximo o que falta acima de tudo nas nossas cidades, tranqüilos e espaçosos lugares para a reflexão, lugares com longas e altas galerias para o tempo ruim ou demasiado claro, onde não o chegue o barulho dos carros e dos pregoeiros e onde um refinado decoro proibisse até a um padre de rezar em voz alta. Construções e passeios que no conjunto exprimissem o que há de sublime no meditar, e no por-se de lado. Foi-se o tempo em que a Igreja tinha o monopólio da reflexão, em quer a vita contemplativa tinha de ser antes vita religiosa.

Tudo o que a Igreja construiu deu expressão a esta idéia. Eu não sei como que tais construções, ainda que fossem despidas de finalidade eclesiástica, poderiam nos satisfazer. Elas falam uma linguagem demasiado patética e constrita, enquanto casa de Deus e luxuosos pontos um comércio supra terreno, para que nós, o sem deus pudéssemos pensar ali, os nossos pensamentos. Queremos nos ver traduzidos, nós mesmo em planta e pedra. Queremos passear em nós mesmos, ao andar por estas galerias e jardins. Nietzche “A Gaia Ciência”.

Pois nisso tudo, no aperto que querem vocês querem nos meter, na casa de cachorro, estamos vindo para trazer ar, verde, frutos e flores, pausas para meditação na simplicidade de um caminho novo escolhido para uma tentativa de fazer alguma coisa gostosa.

Salve a promotoria do meio ambiente. Salvas!
Salvas para os contendores que no correr das audiências foram se revelando pessoas encantadoras. Pena que não foi gravado, mas está na minha memória e quero escrever muito sobre este momento privilegiado.
Só quero que o embate de frutos saia da cerimônia e da seriedade estéril e se transforme num Bexigão.”

CONCLUSÕES

1. Afirmação da idéia original de Lina Bo Bardi, patrocínio do Grupo Sílvio Santos.

2. Envio do “Manifesto Bixigão” em vídeo e em texto não somente ao grupo Silvio Santos mas a Sílvio Santos, pessoa física e sua convocação para participar no dia 20 de fevereiro da próxima reunião entre as partes, às 14 horas, no Ministério Público.

3. Convocação de Paulo Mendes da Rocha para falar livremente sobre seu Projeto para a área. A Ágora.

4. Tornar pública as discussões sobre estas propostas de revitalização do Centro.

5. Se houver acordo, formação de núcleo de criação, produção e estudos da ocupação inspirada na montagem de Os Sertões, como uma Universidade Popular plugada no Sistema Brasileiro de Televisão, aos 100 Anos da obra de Euclides da Cunha, 80 anos da Semana de Arte Moderna, inaugurando o Teatro de Estádio na TV da Era Digital, promovendo o centro de São Paulo a paradigma mundial de desenvolvimento social.

São Paulo, 11 de janeiro de 2002
José Celso Martinez Corrêa
Presidente da Associação de Teatro Oficina Uzyna Uzona
Merda


Mitch Wishnowsky Womens Jersey