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Noitada de 24 de junho: como foi

Noitada de 24 de junho: como foi

*Para entender a Noitada do Oficina em 24 de junho de 2011*

por Beto Mettig

Na última noite de 24 de junho, Dia de São João, Dia do Caboclo, aniversário de um ano do Tombamento do Teatro Oficina, a Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona realizou uma *NOITADA* em sua sede no bairro do Bixiga, uma iniciativa criada para viabilizar a troca de terrenos da área envoltória ao Oficina por outros disponíveis para permuta em qualquer ponto da cidade.

Depois de mais de 30 anos de luta com respaldo e sustentação do Movimento Cultural Brasileiro, apoio institucional, popular nacional e internacional, a Uzyna Uzona recebeu uma nova proposta de Silvio Santos, transmitida em reunião por seu representante Eduardo Velucci, Presidente da SISAM EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS à produtora Ana Rúbia de Melo e à Arquiteta Cênica Carila Matzenbacher, artistas da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona: *TROCAR SEU TERRENO, NO ENTORNO DO TEATRO OFICINA TOMBADO PELO CONDEPHAAT, CONPRESP e IPHAN, POR OUTRO DO MESMO VALOR EM QUALQUER LOCALIDADE DE SÃO PAULO*.

A ideia da *NOITADA*, portanto, era iniciar um diálogo objetivo na concretização desse objetivo, reunindo representantes de vários órgãos – públicos e privados – envolvidos no processo.

*Antropofagia: Capacidade de ruminar o que se come.*

A Uzyna Uzona se prepara neste momento para o pré-lançamento da MACUMBA ANTROPÓFAGA, seu mais novo rito, na FLIP, no dia 10 de julho. Em Paraty, será o ritual de preparação para a estreia em Sampã no dia 16 de agosto, aniversário de 50 anos do Teatro Oficina na Rua Jaceguay.

Os convidados da *NOITADA* chegaram durante os ensaios e puderam provar o gosto do que os atuadores do Oficina, agora temperados com mais 43 integrantes da 1ª. Turma da Universidade Antropófaga, estão cozinhando.

Na roda de conversas após o ensaio estavam Henry Durante, Assessor de Representação Regional do Ministério da Cultura, e Fernanda Falbo Bandeira de Mello, representante da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, além de Eduardo Suplicy, Senador da República. No diálogo, ficou clara a necessidade de se reunir vários atores no processo capaz de viabilizá-lo, o que vai gerar o *AnhangaBaú da Feliz Cidade: Teatro Oficina + Universidade Popular + Oficina de Floresta + Teatro de Estádio + Creches + Revitalização do Bairro do Bixiga*.

Fernanda de Mello sugeriu uma reunião de trabalho com representantes da Secretaria de Cultura, Uzyna Uzona, IPHAN, CONDEPHAAT, MINC, INSS e todos que possam contribuir na viabilização da troca de terrenos com o Grupo SS, até em caminhos que já foram trilhados anteriormente. “A situação agora é outra!”, lembrou Fernanda. Esta primeira reunião será realizada no dia 05 de julho, com a presença (confirmada) de representantes da Uzyna Uzona, Secretaria de Cultura e IPHAN.

Nosso ardoroso desejo é de participar do Plano Municipal de permuta de terrenos para construção de Creches. Ou que a União disponibilize uma área para essa permuta junto aos terrenos listados na Secretaria de Patrimônia da União. O objeto dessa Troca de Terrenos é a área envoltória do Teatro Oficina, cujo prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histório e Artístico Nacional (IPHAN) em 24 de junho de 2010. Desde então a parecista do processo, Jurema Machado, do quadro da Unesco, faz a seguinte recomendação:

“É imediato associar o Teatro Oficina a esse contexto efervescência do bairro do Bexiga com a preservação não apenas de suas edificações mas também dos usos e diversidade do bairro, por duas vias: tanto o Oficina pode ser tomado como elemento chave de um processo de reabilitação, quanto a preservação dos valores do bairro é essencial à vitalidade do Oficina”.

*Estratégias fágicas!*

A *NOITADA* do último dia 24 foi uma continuidade à busca de uma solução não apenas para a preservação das edificações do Teatro Oficina, mas também para o uso do terreno do seu entorno.

A palavra “estratégia” está vinculada ao bélico. A Antropofagia está vinculada à devoração do inimigo virtuoso, também ligada à guerra. No entanto, aqui, estratégias fágicas referem-se às abundantes possibilidades de uso do sufixo fagia na composição de novos substantivos, forjados segundo a metáfora digestiva, boca, beijo, sorriso.

“Língua e linguagem dão sabor à vida” (PANNEK, 2009).

Ao invés de estratégias bélicas, estratégias fágicas!

Ao invés de confronto, encontro!

Ao invés…
Ao inverso…
Ao verso…
Uni verso…

Multi verso!