Gardner Minshew II Jersey Daniel Jones Womens Jersey  O que foi publicado sobre Bacantes – Teat(r)o Oficina

O que foi publicado sobre Bacantes

“A montagem das Bacantes está destinada a buscar a força do teatro. Não da força do teatro de trinta anos atrás, que isso é pouco para a ambição de Zé Celso e seu grupo. Eles parecem querer destruir uma civilização, uma cultura, que, segundo sua visão, está morta. Destruir essa cultura implica por ao chão seu símbolo teatral, o palco italiano. No lugar dele, o anfiteatro grego propõe uma experiência dramática renovada que Zé Celso pretende seja o futuro do teatro. Há implícita uma proposição cultural abrangente, que o idílio bacante, o distanciamento em relação à civilização é a própria razão de ser do novo teatro.
Desde o retorno com As Boas, em 1991, Bacantes é o espetáculo mais eficiente em termos teatrais que o Oficina realiza. Embalado por ondas sucessivas e concomitantes de energia, comicidade e erotismo, o público parece às vezes num estado de eminente descontrole. E não é disso que se trata quando a bacante Alleyona Cavali se esfrega frenética no colo do prefeito de Ribeirão Preto, Antonio Palocci Filho? Por vezes, tem-se a sensação de que a platéia, animada e sutilmente embalada pela profusão emocionante de símbolos, emblemas, convites e alegrias, está prestes a deixar seus lugares e das duas uma: sair do teatro ou se coroar de hera agarrado a uma bacante nua nas águas do fosso em torno da arena central.”
Mário Vitor Santos, Folha de São Paulo, 24/9/95

“Não me surpreende que a peça provoque as reações opostas dos que se entusiasmam literalmente (o público popular da arena grega de Ribeirão Preto, o público carioca reconhecendo-se alegremente na vocação orgiástica que é a da sua cidade, no festival Rio-Cena, o público da maravilhosa estréia em São Paulo) e dos que desprezam odiando, com a mesma intensidade, aquilo que lhes parece ser uma mistura descosturada de atentados pífios, seja ao bom gosto, à inteligência, ao pudor, ou à pessoa física do espectador…
Ao meu ver, essa polaridade (toda distância ou nenhuma) não é mero sintoma das diferenças do público, ou dos altos e dos baixos de um espetáculo luxuosa e luxuriamente generoso e criador, mas um sinal do enfrentamento radical dessa peça com impasses desencadeados pela sua questão central: a irrupção do dionisismo na ordem pública.”
José Miguel Wisnik, Folha de São Paulo, s/d

“Da milenar história de Eurípedes sobre a tragédia do repressor Penteu, o rei de Tebas que morre estraçalhado pelos cultuadores do dionisismo, ergue-se uma releitura radical, o fruto da fantasia do diretor José Celso Martinez Corrêa. No palco, tudo vira uma grande brincadeira tragicômica na qual pulsações sexuais são sinônimos de diversão, liberdade e alegria, como se todos os homens e mulheres em cena se transformassem em delirantes crianças nuas.
Pelo menos três grandes méritos merecem ser dados a Bacantes: o primeiro é a sua capacidade de mobilizar espontaneamente a platéia, que se excita com a atuação despudorada do elenco e acompanhava tudo de forma bastante participativa.
O segundo é a entrega prazerosa e plena dos atores, explorados em suas muitas possibilidades, num espetáculo difícil que pede o canto, o despudor convincente e os movimentos suados. O outro é a trilha sonora executada ao vivo. Sua utilização dá ritmo, impacto e dramaticidade, intensificando a atmosfera de prazer ao ligar a música com a paixão, o rito e a festa de rua.”
Marcos Uzel, Correio da Bahia, 3/3/97


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