Oswald de Andrade é mais uma vez o prato a ser devorado pelo Teatro Oficina, que prepara para novembro a estreia de Mistérios Gozosos, de José Celso Martinez Corrêa, com músicas de José Miguel Wisnik e da ala de compositores do Teatro Oficina, a partir do poema “O Santeiro do Mangue”, de Oswald de Andrade. Os ensaios acontecem com a força musicada e ditisambada da Primavera virada Verão de 2015.

A primeira versão da peça ganhou vida nas ruas do centro de São Paulo durante o Carnaval de 1994, para mais de 4.000 espectadores. Depois teve temporada no Teatro Oficina entre dezembro de 1994 a maio de 1995, com críticas expressivas.

Em 2015, surge dentro do projeto Oswaldianas, patrocinado pela Petrobras, como nova biografia d´O Santeiro do Mangue de Oswald de Andrade, gemido y plasmado in epifanias.

A Ação se passa

dias antes

da secura total dos Trópicos

restou dos 70% d ‘águas

em cada um de nós:

humano elemento

neste momento

olho d’agua nascente

No Mangue do Rio de Janeiro – a mais famosa zona de prostituição brasileira nos anos 1940, um vendedor de santos fica dividido entre a sua família que mora no morro e uma jovem prostituta do Mangue.

Serafim Ponte Grande, Jesus das Comidas, o Homem da Ferramenta

Satã, Eduléia, as Putas do Mangue, Seu Olavo dos Santos, Deolinda, Anjos, Anjas, Leoas, Turistas, Cafetões, Gigolôs, Michês, Mulheres de Jerusalém, Senhoras Católicas, Fregueses:

Senhas nas Mãos

Vocês vão penetrar

vosso Ovário

neste Porto Inter Planetário

MISTÉRIOS

DOLOROSOS

GLORIOSOS

GOZOSOS…

 

Vem cá beleza
Vem cá benzinho
Qué fazê sacanagem
Com uma brasileira?
Vam fudê vam
Vam buchê vam
Na bunda vam

É uma peça de Oswald de Andrade, autor chave do movimento modernista brasileiro, cuja obra, profundamente política, alegre e debochada, inspirou o tropicalismo dos anos 60.

O texto é uma adaptação musicada por José Miguel Wisnik do poema dramático O Santeiro do Mangue, mistério gozozo – à moda de ópera. A ação se passa nos trópicos, mais precisamente no Mangue do Rio de Janeiro – a mais famosa zona de prostituição brasileira nos anos 40. Ela conta a história de um vendedor de santos dividido entre a sua família que mora no morro e uma jovem prostituta do Mangue.

A peça foi apresentada pela primeira vez nas ruas do centro de São Paulo durante o Carnaval de 1994 para mais de 4.000 espectadores. Essa temporada embrionária, no Teatro Oficina, durou de dezembro de 1994 a maio de 1995.