A ideia do espetáculo PARANOIA surgiu num jantar em 2010, ano da morte de Piva, quando Marcelo leu o livro em voz alta para Zé Celso e outros atuadores da companhia. Uma série de leituras foram feitas desde então: um ensaio aberto no Oficina em 2011, uma apresentação na Praça das Artes, no centro de São Paulo e uma curta temporada, em 2014, no Clube das Artes AAMAM.

Em 2016, nosso dois mil e cri$e, o amor e o perigo de Paranoia surgiram como um uivo do fim do mundo e se transformaram em espetáculo para tomar o espaço do Teat(r)o Oficina em uma temporada de 11 espetáculos. Em 60 minutos, Marcelo tropeça nos versos do desvairado ritmo da poesia de Piva. Cai nas calçadas preto e branco de Sampã, nos bares sujos, na Praça da República, nos anjos da meia noite, nos poetas malditos, nominalmente citados nas poesias. Mário de Andrade, Antonin Artaud e Garcia Lorca são rememorados na barafunda de viver na metrópole paulista em ebulição.

“Não é teatro porque não há conflito entre personagens. Não é monólogo porque nem é auto ajuda de homem de 50, nem um drama de um suicida. Não é stand up porque não sei se vou fazer de pé ou sentado. Não é show porque quem dá show é músico. Não aceito fazer recital, sarau ou coisa do gênero, nesse caso fica mais perto do roquenrou”, Marcelo Drummond, produtor, diretor e ator do Teat(r)o Oficina.

 

2014 - Clube das Artes

O AUTOR

ROBERTO PIVA nasceu na maternidade Pró-Matre, no coração de São Paulo, e toda sua vida e obra giram, justamente, em torno dessa cidade. Cresceu e se formou entre a capital e as antigas fazendas do pai, no interior do estado. Seus primeiros poemas foram publicados em 1961, quando tinha 23 anos, quando integrou a Antologia dos Novíssimos, de Massao Ohno, na qual apareceram vários poetas brasileiros iniciantes, que depois desenvolveram uma obra poética importante para São Paulo.

Logo se destacou como uma das vozes mais originais da poesia paulistana com a publicação de Paranoia, em 1963. Adepto do surrealismo e influenciado pela geração beat, Piva escreve a cidade de São Paulo com um olhar altamente erotizado, acompanhado pela experiência com narcóticos e alucinógenos. Com forte presença do homoerotismo, em sua poesia, frequentemente é classificado como um “poeta maldito” e, de fato, evoca muitos poetas que são tradicionalmente considerados malditos, citando-os nominalmente grande parte das vezes.

Formado em sociologia, sobreviveu em grande parte como professor de estudos sociais e história. Em suas aulas aos adolescentes do segundo grau, costumava trabalhar as matérias a partir de poemas que os fazia ler e interpretar. Foi um professor de muito sucesso, com rara vocação como pedagogo. Nos anos de 1970, tornou-se produtor de shows de rock.

Por tem medo de avião, raramente se distanciou demais da capital. Com a maturidade veio a ligação intensa com a natureza, os índios e o xamanismo. Publicou Paranoia (1963), Piazzas (1964), Abra os olhos e diga ah! (1975), Coxas (1979), 20 Poemas com Brócoli (1981), Ciclones (1997), e antologias.

O ATOR

MARCELO DRUMMOND se dedica há quase 30 anos ao Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona como ator, produtor, iluminador. Participou, até agora, em mais de 25 peças dirigidas por Zé Celso Martinez Corrêa, entre elas, As Boas e Ela de Jean Genet, Hamlet de Shakespeare, Mistérios Gozozos de Oswald de Andrade, Bacantes de Eurípedes, pra dar um fim no Juízo de deus de Antonin Artaud, Boca de Ouro de Nelson Rodrigues, a série de 5 peças de Os Sertões da obra de Euclides da Cunha, as 7 peças da Odisseia Cacilda! de Zé Celso, Banquete de Platão, Taniko de Zenchiku, Bandidos de Schiller e muitas outras. Foi codiretor em algumas dessas peças e dirigiu alguns trabalhos na Companhia, como o Malefício do Tabaco de Anton Tchecov, o Assalto e Santidade de Zé Vicente, Cypriano e Chantalã de Luis Antonio Martinez Correa, O Assassinato do Anão do Caralho Grande e Navalha na Carne de Plínio Marcos.

Paranoia é um trabalho solo que todo ator deve ter e a poesia que todo ator deve experimentar dizer.

2013 - Praça das Artes

2014 - Clube das Artes

2016 - Teatro Oficina

Mídia

Direção geral e atuação: Marcelo Drummond

Trilha sonora: Zé Pi

Luz: Luana Della Crist

Desenho e operação de som: Rodox

Efeitos (laser): Fabio Stasiak

Direção de arte e Figurino: Sonia Ushiyama

Direção de cena: Otto Barros

Arquitetura Cênica: Carila Matzembacher e Marília Gallmeister

Bar dos anjos: Wallace Ruy

Camareira: Cida Melo

Cinema ao vivo: Igor Marotti (direção de fotografia e câmera) e Pedro Salim (projeções ao vivo)

Técnicos de som: Rodox e Felipe Gatti

Produção Executiva: Anderson Puchetti

Produção: Ederson Barroso e Kael Studart

Núcleo de Comunicação Antropófaga | Assessoria de Imprensa: Brenda Amaral, Cafira Zoé e Camila Mota

Design Gráfico: Igor Marotti