Fundada em 1958, a companhia Teat(r)o Oficina atravessou décadas sempre se transformando a partir do tempo presente, tanto esteticamente quanto nos modelos de financiamento de cada era. Os anos 60 se caracterizaram por muito público e espetáculos de terça a domingo, onde a bilheteria era a principal fonte de financiamento de artistas e espetáculos. Esse ciclo foi interrompido pela ditadura militar que praticamente criminalizou a arte teatral. A companhia foi obrigada a exilar-se na Europa e África e na volta ao Brasil, encontrou uma situação completamente diferente para a arte teatral.  Sem patrocínio e com muita garra, foram feitas muitas peças que, embora excelentes, deixavam a desejar possibilidades técnicas e tecnológicas.

Em 2005, o Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona iniciou uma parceria permanente com a Petrobras, responsável pelo patrocínio de manutenção da sede e do núcleo artístico da Companhia. Com o patrocínio a companhia pôde, além de investir em equipamentos, cenários e figurinos para as montagens, investir também no equipamento principal do teatro: o ator, dando condições mínimas pra se dedicar ao teatro numa companhia permanente.

Em 2015, para comemorar uma década de patrocínio, o projeto realizado foi Oswaldianas – Teato na Cidade Seca sobre Rios, que consistia em três troncos principais: manutenção do espaço, manutenção do núcleo artístico da companhia e montagem do rito-espetáculo Mistérios Gozosos, a partir do poema O Santeiro do Mangue,  de Oswald de Andrade, com dramaturgia de Zé Celso e Catherine Hirsch.

Os mistérios do prazer são ações político-afetivas urgentes numa época de crise em que a tensão, a ansiedade e a depressão tomam conta de tudo. Para atravessá-las, é necessária a busca úmida, uma atitude TragiCômica Orgiástica, sem ignorar nem por uma fração de minuto, a gravidade da situação. As Crises precisam de Humor, Amor y Muito Mais para se resolver os problemas na raiz e com antenas muito ligadas.

 

3ª DENTIÇÃO – 2016 – FORMAÇÃO DE MESTRES

O projeto da Companhia Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona em 2016, em parceria com a Petrobras, ainda na fase de contratação, é a manutenção de sua sede e do núcleo transdisciplinar que atua neste espaço, num trabalho indissociável entre arquitetura e atuação.

A terceira dentição da Universidade Antropófaga tem o objetivo de atuar nesse espaço e refinar técnicas de atuação, dança, canto, artes visuais, vídeo, figurino, direção, arquitetura e urbanismo cênico, política, comunicação, filosofia, com a antropofagia como uma das linhas condutoras de pensamento e sua atuação concreta nas catástrofes do antropoceno.

Após as duas primeiras dentições da Universidade, em que realizamos abertura de chamada pública, e dos núcleos de extensão do pensamento antropófago transdisciplinar – Convênio exemplar, X Bienal de Arquitetura e Terreyro Coreográfico – o trabalho evoluiu e na terceira não abriremos novas vagas. O corpo docente e dicente será composto com o time da companhia, formado por integrantes que há muito tempo atuam no grupo e por membros que vieram das chamadas públicas da primeira e segunda dentição. Esse projeto será focado em desenvolver nosso trabalho, como sempre fazemos, mas também em aprimorar nossa prática de transmissão de conhecimento, um mestrado, onde os artistas, além de desenvolverem a linha estética da companhia, desenvolvem  também a capacidade de transmitir esse conhecimento.

O valor total do contrato de patrocínio será de R$800.000,00 (oitocentos mil reais).

Todos os trabalhos previstos para serem realizados com o financiamento da Petrobras se estenderão por seis meses do ano de 2016, de junho a dezembro e incluem:

1) Manutenção da sede da companhia

duração 6 meses

valor total: R$124.500,00

– recuperação de figurinos, objetos de cena e da arquitetura cênica do repertório que estão danificados;

– limpeza, manutenção e recuperação de parte dos equipamentos;

– reparos estruturais da sede;

– locação dos espaços de produção e depósitos e contas de consumo.

2) Manutenção do núcleo do corpo artístico da companhia, formado por 40 pessoas  duração 6 meses

valor total: R$589.290,00

– realizar treinos e estudos diários de corpo, voz e contracenação com as câmeras TV Uzyna, para desenvolvimento e continuidade da linguagem da companhia;

– criar estúdios de experimentações técnicas de atuação, interpretação, dança, música, arquitetura cênica, vídeo, iluminação, figurino, desenho e engenharia de som e sonoplastia;

– assessoria de imprensa e desenvolvimento de estratégia de divulgação do teatro e do repertório;

– formatação de projetos;

– planejamento geral, mapeamento da produção do ano e captação de recursos

3) Seminários, atividades abertas ao público, publicações

duração 6 meses

valor total: R$ 86.210,00

– realização de 8 Seminários – encontros rituais para a troca de conhecimentos de todos os saberes da arte teat(r)al inspirada pela Antropofagia. A curadoria dos temas e mestres dos Seminários também estará vinculada à preparação e a montagem em andamento da companhia e será feita por cada área da Universidade Antropófaga, resultando em oito Seminários nas áreas de: atuação; arquitetura e urbanismo cênico; musica; iluminação; desenho e engenharia de som e sonoplastia; audiovisual; direção de cena e comunicação.

– publicação de nova edição do jornal A Bigorna, com o conteúdo gerado nos seminários, com tiragem de 1000 exemplares com distribuição gratuita em escolas, bibliotecas, companhias de teatro, núcleos de estudo.

 

As seguintes obras e projetos foram realizadas com a chancela Petrobras apresenta:

. 2005 – OS SERTÕES – A Luta I; da obra de Euclides da Cunha

. 2006 – OS SERTÕES – A Luta II; da obra de Euclides da Cunha

. 2007 – OS SERTÕES – temporada popular das 5 peças em São Paulo, Salvador,

  Recife, Rio de Janeiro e Canudos: A Terra, O Homem I – do pré-homem à

  revolta, O Homem II – da revolta ao trans-homem, A Luta I, A Luta II; gravação        

  das 5 peças e lançamento em DVD;

. 2008 – Os Bandidos, de Schiller;

. 2009 – Cacilda!! – Estrela Brazyleira a Vagar, de Zé Celso;

. 2010 – montagem dos DVDs da caixa comemorativa dos 50 anos da Companhia: Os

  Bandidos, Cypriano y Chantalan, Vento Forte para um Papagaio Subir, Taniko;

. 2011 – Macumba Antropófaga de Zé Celso (baseado no Manifesto Antropófago de

  Oswald de Andrade);

. 2012 – Acordes; de Bertolt Brecht

. 2013 – Cacilda!!! Glória no TBC e 68 AquiAgora; de Zé Celso

. 2014 – Cacilda!!!!! – A Rainha Decapitada, de Zé Celso

. 2015 – Oswaldianas – Teato na Cidade Seca sobre Rios

Com a parceria da Petrobras essas obras foram criadas pelo processo ininterrupto da Cia. em sua sede na rua Jaceguai, e puderam percorrer alguns lugares do Brasil e do Mundo. Na maioria deles carregando além da Obra de Arte Teat(r)al, uma aproximação Arquitetura Cênica da Obra de Arte Arquitetônica Urbanística criada por Lina Bardi – o 3º Teatro Oficina: Terreiro Elektrônico, sempre recriado para os mais diferentes espaços pelos Arquitetos cênicos Oswaldo Gabrieli, Cristiane Cortilio, Marilia Gallmeister e Carila Matzenbacher e Oficinas Uzynas Uzonas  de difusão de práticas e métodos de Criação da Companhia, junto aos artistas das cidades.

A parceria  Petrobras – Teat(r)o Oficina possibilitou à companhia a realização dos seguintes objetivos:

  • Estruturação artística;
  • Profissionalização;
  • Criação de repertório nacional antropófago;
  • Formação de espetáculos corais musicais – Óperas de Carnaval reconhecidas nacional e internacionalmente, por sua especificidade e originalidade.