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Teatre de La Place pretende cancelar Bacantes na E...

Teatre de La Place pretende cancelar Bacantes na Europalia

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Em um ato de desrespeito às normas contratuais entre os humanos, e ao andamento de um trabalho realizado por um grupo de mais de 55 pessoas no Brasil, e inúmeras outras na Europa, o Teatro de La Place pretende cancelar a temporada das Bacantes em Liége, no mês de janeiro, encerrando o festival Europalia que em 2011 e 2012 leva à Belgica um panorama das artes brasileiras.

Alegando “falta de tempo”, o diretor geral do La Place e da Europalia em Liége, Serge Rangon, escreveu à organização do Europalia solicitando a anulação das Bacantes, depois de meses de intenso trabalho tanto para se ajustar o rito dionisíaco às condições oferecidas pelo La Place quanto para conseguir novos recursos que possibilitem ao Teatro Oficina realizar as Bacantes em toda a sua potência para o público belga.

Neste ano Brasil na Bélgica, o La Place pode, com esse corte, fazer de seu país um anfitrião sem educação, praticando um ato de ignorância teatral ao impedir o Teatro Oficina, instituição teatral mais longeva do Brasil, de se apresentar para o público que já comprou os ingressos.

Seria também um ato de desprezo pela atitude grandiosa da FUNARTE e do MINISTÉRIO DA CULTURA, que se comprometeram em cobrir os gastos com as quais o festival não pode arcar e também demonstraria falta de confiança no povo que vive na Bélgica, nos trabalhadores de teatro que nesta crise de desemprego, com o maior prazer, trabalhariam nos dias que não são feriados, entre Natal e Ano Novo, para erguer arquibancadas, colocar refletores, instalar caixas de som, e enfim criar um Teatro que abre este ano de 2012.

O Rito da Origem do Teatro em BACANTES, vem exatamente neste equinócio trazer a renovação Natalina: Jesus, sublimação de Dionisios, que nasceu exatamente nesta época no monte Parnaso onde as Mênades íam acordar “il bambino”.

Entenda o caso:

Desde a confirmação da presença do Teatro Oficina com as Bacantes no Europalia, em julho deste ano, a Cia. vem trocando informações diariamente a fim de estabelecer as condições necessárias à realização do rito: Riders técnicos foram enviados, especificando a quantidade de material necessário, em todas as áreas, e todos foram, com o tempo, cortados, de acordo com pedidos do Teatro de La Place. As solicitações da equipe de arquitetura cênica do Oficina, há muito enviadas à Liége, ficaram todo o tempo sem resposta, apesar do esforço em obter qualquer informação a respeito com o pessoal do La Place.

Mais recentemente, no dia 5 de dezembro, o curador brasileiro que faz a intermediação com o Oficina, em reunião realizada no teatro, informou à nossa produção que Liége pedia o acréscimo de 35 mil euros para que se pudessem realizar as Bacantes. Embora tenha sido pega de surpresa, a produção do Oficina e o curador deram início ao esforço de conseguir esse adicional, e em 5 dias apenas, tiveram a resposta positiva da FUNARTE e do MINC de que haveria essa verba para disponibilizar às Bacantes.

Neste mesmo dia 10, quando o Oficina informou a Liége que havia conseguido o dinheiro, teve como resposta uma carta enviada à coordenação da Europália pelo diretor geral do La Place, pedindo o cancelamento das Bacantes. Agora o Oficina trabalha para que justamente não seja perpetrado esse ato digno de Penteu, ao impedir que as Bacantes e Dionísio, aportem na Bélgica com seu Carro Naval.

Zé Celso escreveu uma “carta endereçada diretamente à presidenta Bozena”:http://teatroficina.uol.com.br/menus/45/posts/548, do Europalia. A carta do presidente do La Place e da Europalia em Liége informando do cancelamento, e a resposta do Oficina, podem ser lidas abaixo.


“Prezada Bozena,

Como eu dizia na nossa conversa telefônica da terça-feira, nós nos encontramos infelizmente face a uma situação impossível de se administrar, sem uma resposta clara ao respeito de “As Bacantes”. Nós esperávamos uma resposta definitiva na segunda-feira.

Nossos ateliês já adiaram o começo da realização dos elementos cênicos de duas semanas, e nós ainda não lançamos a comanda de aluguel das arquibancadas nem do material técnico. Também não pudemos lançar toda a comunicação em torno do espetáculo, cuja realização ainda é incerta. Com as festas de final do ano, daqui duas semanas, nossa atividade fica mais lenta e isso aumenta os custos, se pedirmos às equipes para trabalharem nesse período que tradicionalmente lhes permite de recuperar as horas extras do começo da temporada. Isso tudo sem falar da questão do custo extra incomprimível para apresentar o espetáculo, questão esta em torno da qual havíamos decidido juntos de decidir definitivamente na segunda dia 5 de dezembro, o que não pôde ser feito.

Todos esses motivos nos obrigam a ter de tomar a decisão de anular o espetáculo, como conversado por telefone. Eu sei que todos os esforços foram realizados: pelas autoridades brasileiras, pelo comissário brasileiro a quem eu agradeço particularmente pelo seu compromentimento e sua vontade de chegar-se a uma solução, pela equipe da Europalia e também pela companhia que, mesmo reagindo muito tarde, nessas últimas semanas também buscou soluções.

Todos esses esforços mostraram-se inúteis face à grandeza dessa produção titanesca que nós tanto gostaríamos de apresentar ao público belga. Mas os custos gerados, os riscos, o tempo restante para a realização, todos esses elementos devem nos conduzir todos, racionalmente, a cancelar o espetáculo e, de comum acordo, enviar um press release para anunciar ao público a impossibilidade de apresentar o espetáculo por razões técnicas. Nós lhe proporemos um texto no começo da semana que vem. Nós vamos reembolsar o público ao mesmo tempo.

Os outros espetáculos brasileiros apresentados são um sucesso enorme e estamos todos felizes com essa colaboração. Nós lhe agradecemos, você e seus colaboradores, por todos os esforços e pela sua escuta e pela sua paciência.
(…)

Serge Rangoni”

“Prezados

Estamos em pleno processo de ensaio de BACANTES
e continuaremos trabalhando para levar esse rito dionizyaco.
Nós e vocês já temos o dinheiro necessário.
Voces alegam questão da falta de tempo.
Mas para combater isso,
o Teatro tem um poder incomensurável
de mover o mundo,
de atravessar obstáculos.
O Europalia, que descobrimos que foi originalmente
o festival da fertilidade, como os ritos dionizyacos,
precisa invocar essa potência do eterno retorno a sua origem
como nós estamos invocando a potência de Dionizyos

Sendo um festival de Arte e de Teatro deve-se perceber
que a Furia da Arte não aceita abortos,
é um processo vivo.

Não há obstáculo que não seja superado
com a capacidade de exercer o Poder do Teatro,
que transforma dificuldades em Arte.

Vamos encerrar esse festival
É a nossa missão
e vamos cumprir essa missão

Temos a vontade teatral
e já iniciamos a campanha anunciando nossa ida ao Teatre de La Place

Temos certeza que os belgas nesse momento terão prazer em vencer esses obstáculos.
E será uma honra vence-los
e devolver BACANTES para seu berço: a Europa.

Nós estamos levando o vinho Torna Viagem Bacantes

Vivemos 2011 em viagem pelo Brasil
montando um teatro para 2000 pessoas em cada cidade
e sabemos, por experiência, que é possível montar uma estrutura
como a que BACANTES necessita em qualquer tempo que se precise

Vamos pra Europa para fertilizar
depois do Acordar do Revellion de 2012
com Arte
com Ardor”

“Dear all

Were in the middle of BACANTES rehearsal process
and we keep working to carry on the Dionysian rite.
You and us have the money needed.
You talk about the lack of time.
But, to fight this,
the Theater have the unmeasurable power to move the world
to get through obstacles.
The Europalia, that we found out was originally
the fertility festival, like the Dionysian rites,
need to invoke this power of the eternal return to its origin
as we are invoking the power of Dionizyos.

Once its an Art and Theater festival, it has to realize
that the Rage of Art does not accept abortions,
its a living process.

There is no obstacle that is not overcome
with the capacity to exercise the Power of the Theater,
that transforms difficulties in Art.

Lets face this festival.
Its our mission
and were going to accomplish this mission.

We have the theatrical will
and have already started the campaign announcing our going to the Theatre de la Place.

Were sure that the Belgian, at this time, will have the pleasure to win these obstacles.
And its going to be an honor to do it
and take BACANTES back to its birth place: Europe.

Were taking the Bacantes Trip Take wine.

Weve lived 2010 traveling through Brazil
setting up a theater to 2000 people in each city
and we know, by experience, that it is possible to set up a structure
like the one needed by BACANTES, in any time required

Were going to Europe to fertilize
after the 2012 Reveillons Awakening
with Art
with Ardor

from all people of Teatro Oficina”



*LE THEATRE DE LA PLACE PRETEND SUPPRIMER LES BACCHANTES DE L’EUROPALIA*

Dans un acte d’irrespect aux normes contractuelles entre humains et à l’avancée d’un travail réalisé par un groupe de plus de 55 personnes au Brésil et d’innombrables autres en Europe, le Théâtre de La Place prétend annuler la saison des Bacchantes à Liège, en janvier, clôturant le festival Europalia qui en 2011 et 2012 présente en Belgique un panorama des arts brésiliens.

Alléguant « le manque de temps », le directeur général de La Place et de l’Europalia à Liège, Serge Rangon, a sollicité par lettre à l’organisation d’Europalia l’annulation des Bacchantes, après des mois d’intense travail tant pour adapter le rite dionysiaque aux conditions offertes par La Place que pour obtenir les moyens permettant au Théâtre Oficina de réaliser Les Bacchantes dans toute leur puissance pour le public belge.

En cette année du Brésil en Belgique, La Place, avec cette suppression, fait de son pays un amphitryon sans éducation, dans un acte d’ignorance théâtrale qui empêche la plus ancienne institution scénique du Brésil, le Théâtre Oficina, de se présenter devant un public qui a déjà payé ses places.

Ce serait tout autant un acte de mépris pour l’attitude grandiose de la FUNARTE (Fondation Nationale des Arts brésilienne) et du Ministère de la Culture (brésilien) qui se sont engagés à couvrir les coûts auxquels le festival ne peut faire face, et cela démontrerait aussi le manque de confiance dans le peuple qui vit en Belgique, dans les travailleurs du théâtre qui, dans cette crise de chômage, travailleraient avec le plus bel entrain les jours non fériés entre Noel et Nouvel An, à construire les tribunes, installer réflecteurs et équipements de son, enfin créer un Théâtre qui inaugure cette année 2012.

Le Rite de l’Origine du Théâtre dans Les Bacchantes, vient précisément dans ce solstice porter la rénovation natale : Jésus, sublimation de Dionysos, qui naquit exactement à cette époque sur le mont Parnasse où les Ménades allaient réveiller « il bambino ».

*Comprendre les faits*

Depuis la confirmation, en juillet dernier, de la présence du Théâtre Oficina avec Les Bacchantes au festival Europalia, la Compagnie échange quotidiennement les informations afin d’établir les conditions nécessaires à la réalisation du rite : les guides techniques furent envoyés, spécifiant la quantité de matériel nécessaire, dans tous les domaines, et tous furent au fil du temps réduits en raison des demandes du Théâtre de La Place. Les sollicitations de l’équipe d’architecture scénique d’Oficina, envoyée depuis longtemps à Liège, restèrent tout le temps sans réponse, malgré les efforts pour obtenir les informations auprès des responsables de La Place.

Plus récemment, le 5 décembre, le commissaire brésilien chargé de l’interface avec Oficina, lors d’une réunion réalisée au théâtre, nous informa que Liège demandait une rallonge de 35 000 Euros pour que puisse être monté « Les Bacchantes ». Bien que pris de surprise, la production d’Oficina et le commissaire se lancèrent en quête de cette rallonge et, en cinq jours, reçurent la réponse positive de la FUNARTE et du Ministère National de la Culture (MINC) pour que cette subvention soit mise à disposition des Bacchantes.

Et ce 10 décembre, quand Oficina informa Liège que nous avions obtenu les fonds nécessaires, nous reçûmes comme réponse une lettre envoyée par le directeur de La Place à la coordination de l’Europalia demandant l’annulation des Bacchantes. A présent, Oficina travaille pour que justement ne soit pas perpétré cet acte digne de Penthée, – empêcher que les Bacchantes et Dionysos arrivent jusqu’en Belgique.

Compagnie du Théâtre Oficina – Sao Paulo

ci-dessous la lettre du directeur de La Place et la réponse d’Oficina

– Lettre de M. Rangoni, directeur du théâtre de La Place à Mme Bozena de la coordination de Europalia. (10 décembre 2011)

Estimée Bozena,

Comme je le disais par téléphone mardi, nous nous trouvons malheureusement face à une situation impossible à gérer sans une réponse claire au sujet des « Bacchantes ». Nous espérons une réponse définitive lundi.

Nos ateliers ont déjà remis de deux semaines le début de la réalisation des éléments scéniques, et nous n’avons pas encore lancé la commande de location des tribunes ni du matériel technique. Nous n’avons pas pu, non plus, lancer toute la communication sur le spectacle dont la réalisation est encore incertaine. Avec es fêtes de fin d’année, d’ici deux semaines, notre activité se ralentit ce qui augmente les coûts si nous demandons à nos équipes de travailler dans cette période qui traditionnellement leur permet de récupérer les heures supplémentaires du début de saison. Tout cela sans parler de la question des surcoûts incompressibles pour la présentation du spectacle, question sur laquelle nous avions ensemble décidé de décider (sic) définitivement lundi 5 décembre, ce qui ne peut être fait. ( ?)

Tous ces motifs nous obligent à devoir prendre la décision d’annuler le spectacle, comme nous en avons parlé par téléphone. Je sais que tous les efforts furent réalisés : par les autorités brésiliennes, par le commissaire brésilien que je remercie particulièrement pour son engagement et sa volonté d’arriver à une solution, par l’équipe d’Europalia et aussi par la Compagnie qui, même avec beaucoup de retard, ces dernières semaines à aussi cherché des solutions ( !!!).

Tous ces efforts se sont montrés inutiles face à la grandeur de cette production titanesque que nous aurions tant aimé présenter au public belge. Mais, les coûts, les risques, le temps qui reste pour la réalisation, tous ces éléments doivent nous conduire tous, rationnellement, à annuler le spectacle et, d’un commun accord, envoyer un press-release pour annoncer au public l’impossibilité de présenter le spectacle pour raisons techniques. Nous vous proposerons un texte au début de la semaine qui vient. Nous allons rembourser le public en même temps.

Les autres spectacles brésiliens présentés sont un énorme succès et nous sommes tous heureux de cette collaboration. Nous vous remercions, vous et vos collaborateurs, pour tous les efforts, pour votre écoute et pour votre patience. (…)

Serge Rangoni

– Réponse du Théâtre Oficina

Estimés,

Nous sommes en plein processus de répétition des BACCHANTES et nous continuerons à travailler pour mener ce rite dionysiaque. Nous et vous, avons déjà l’argent nécessaire. Vous alléguez des questions de manque de temps. Mais pour combattre cela, le théâtre a un pouvoir incommensurable de mouvoir le monde, de traverser les obstacles. L’Europalia, dont nous découvrons qu’il fut à l’origine le festival de la fertilité, comme les rites dionysiaques, a besoin d’invoquer cette puissance de l’eternel retour à son origine, comme nous invoquons la puissance de Dionysos.

Etant un festival d’Art et de Théâtre, il se doit de percevoir que la Furie de l’Art n’accepte pas l’avortement, c’est un processus vivant.

Il n’y a pas d’obstacle qui n’ait été surmonté avec la capacité d’exercer le Pouvoir du Théâtre, qui transforme la difficulté en Art.

Nous allons clore ce festival. C’est notre mission et nous allons accomplir cette mission.

Nous avons la volonté théâtrale et nous avons déjà commencé la campagne annonçant notre arrivée au Théâtre de La Place.

Nous sommes certains que les Belges à ce moment auront plaisir à vaincre ces obstacles. Et ce sera un honneur de les vaincre et de rendre Les Bacchantes à leur berceau : l’Europe.

Nous amenons avec nous le vin Cépage de Voyage des Bacchantes.

Nous avons vécu 2011 en voyage par le Brésil, montant un théâtre pour 2000 personnes dans chaque ville, et nous savons d’expérience, qu’il est possible de monter une structure comme celle que Les Bacchantes nécessite quel que soit le temps dont on dispose.

Allons en Europe pour fertiliser, après le Réveil du Réveillons de 2012, avec Art et Ardeur ! »