Gardner Minshew II Jersey Daniel Jones Womens Jersey  Texto de Sylvia Prado sobre prêmio do Oficina - Teat(r)o Oficina
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Texto de Sylvia Prado sobre prêmio do Oficina

Texto de Sylvia Prado sobre prêmio do Oficina

Por Sylvia Prado

O Teatro Oficina foi homenageado pela cia. “Loucos do Tarô”:http://www.loucosdotaro.com.br/ com o prêmio *Inspiração do Amanhã 2014*. No dia oito de abril de 2014, no Teatro Bibi Ferreira, artistas de diversas áreas, inclusive os artistas do capital – os empresários –, se encontraram pra este evento.

Como atriz da cia, e coordenadora do Movimento Bixigão (trabalho sócio educativo da associação Uzyna Uzona), fui incumbida de representar o teatro.
A responsabilidade de representar o Oficina e a consciência da impossibilidade de reunir em mim toda a potência criativa dos 50 anos dessa Uzyna, dos quais represento apenas 16 anos, me deram a ideia de levar comigo, além da atriz Liz Reis (recém empossada diretora executiva da Cia.), o Livro “OFICINA 50+ Labirinto da Criação”:http://teatroficina.com.br/menus/45/posts/752, labirinto que ganhou forma nas mãos de Mariano Matos Martins.

Contendo a história pregressa e recente, desse Terreiro Eletrônico, as gerações e espetáculos, críticas e fotos das montagens da Companhia, essa pepita de ouro não apenas embasaria minha subida ao palco, como seria ferramenta para a premiação.

Impossível inspirar o amanhã, sem que o hoje saiba do ontem.

A celebração aconteceu em três partes: a apresentação da peça Viúva Porém Honesta, de Nelson Rodrigues, pela cia. Loucos do Tarô; o show da banda; a premiação.

Não cabe a mim uma crítica da peça. Não sou crítica, sou atriz. Estava ali também como Cacilda Becker: “*Todos os teatros são meus teatros*”! Quão delicioso foi reencontrar Nelson Rodrigues, e quão instigante é perceber sua genialidade dramatúrgica, sua capacidade de observação e tradução corrosiva do ser humano. A banda, cheia de belos moços mais a moça, não faz exatamente o som que me toca – mas pensei na hora estar ouvindo o som da geração que inspiramos, então me inspirei.

A premiação é a questão que quero criticar, discorrer, elucidar.

Pra mim, o mais importante e emocionante no momento atual das artes, foi ver ali patrocinadores da arte como acredito que a arte deva ser patrocinada. Pessoas cuidando de uma cia, cultivando sua continuidade, seu crescimento. Não apenas como estratégia de marketing, de retorno imediato de mídia, mas como ciência do papel que o Capital pode e deve desenvolver na divisão de seus lucros, para o incentivo permanente da arte como ferramenta da transformação humana.

A grande alegria da noite foi ver uma gama de empresas unidas, presentes, prestigiando o trabalho de uma cia nascente, ativa e próspera.

A segunda ação que me tocou, foi a sacação de que o Teatro é mesmo a arte catalisadora de todas as artes, com seu poder de escuta, sua necessidade de observação do ser humano, de sua pã ciência de repetição, de sua necessidade ritualística, dessa que se inicia ao dizermos “MERDA” – e que só se finda no aplauso último.

Essa realeza nos dá a honra de sermos, nos prêmios futuros, os primeiros homenageados da noite.

Pois, ao contrário dos demais, alguns dos demais, mais centrados em si, que receberam seus prêmios e foram embora, nós ficamos. De Simoninha ao conde Chiquinho Scarpa, nos interessa muito ouvir o que o outro tem a dizer. E, parodiando Marina Lima, musa premiada que também deixou o teatro após dar sua fala: se vocês não saíssem à francesa, eu viajaria muito, mas muito mais!!!!

Assim, sugiro, como sugeri ao vivo aos organizadores do evento:

*Premiem o teatro primeiro, pois nós ficaremos até baixar o pano!*

A terceira questão é a premiação em si: e está relacionada à crítica que fiz acima sobre a saída dos premiados antes do fim da premiação.

*QUAL A IMPORTÂNCIA DE RECEBER UM TROFÉU?*

A frase proferida por Sócrates, na montagem que o Oficina realizou sobre o Banquete, não saia de minha mente:

*PRÊMIOS SÃO PARA OS CARENTES DE PLANTÃO.*

Pronunciar isso ao receber um prêmio pode parecer agressivo, mas eis o que há por trás disso:

O prêmio é o símbolo material de uma coisa maior que o objeto. Ele deve valer pelo que há por trás de si – no nosso caso, o trabalho infindo da Companhia, sua capacidade transformadora, sua reexistência, sua qualidade artística e a incomparável capacidade de absorção e releitura do presente. Toda a ação que é feita pra tocar o outro ser. Teatro sem público não existe. No caso do Oficina, então, em que a arquitetura de Lina Bo Bardi retira esse limite e faz de todos atuadores, o que existe e fica de nossa obra, o que fica como nossa inspiração pro amanhã é, além de todos os itens acima, a troca humana.

Teatro – Arte presente, ao vivo, carne, TE ATO.

Assim, quando o Oficina é premiado, ele age.

O TE ATO é a inspiração do amanhã, pois é a arte do hoje, do agora, do ao vivo.

Por isso, mais que agradecer, me interessava subir ao palco para instigar.

Agora, agradeço aqui a todos os envolvidos e presentes pelo encontro e pela possibilidade de nos contagiarmos ainda mais.

Loucos do Tarô, e a todos os presentes, minha alegria e minhas felicitações!

Sylvia Prado

“Veja os outros premiados”:http://entretenimento.r7.com/fotos/miguel-arcanjo-prado-e-celebridades-ganham-premio-inspiracao-do-amanha-09042014#!/foto/10


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