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Tréplica para o Grupo Sílvio Santos (parte III)

Tréplica para o Grupo Sílvio Santos (parte III)

6 – “O que uma pessoa pode fazer senão rir” (Shaskepeare- Hamlet). Porque não gargalhar de felicidade quando existe uma proposta de transformação de um empreendimento privado em público? Em vez de destruir um Bairro histórico e popular, porque uma Grande Corporação não pode a partir de um teatro, reconstruir o umbigo cultural prodigamenete fértil do Bixiga, no centro de uma das maiores cidades do mundo. Plantar as sementes de uma outra urbes, uma nova vida vindo do que Bexiga criou e não o seu sepultamento numa Bela Vista de hotelaria de business-men, interessados somente na cultura Shopping?

7 – A gestão atual do Condephaat, aprovou esse filho do Minhocão sem levar em conta o entorno do Oficina. Entorno geográfico e cultural, contido já no projeto Lina Bardi há 22 anos, 4 anos antes do tombamento do Teatro. A “insensatez” todos nós felizmente às vezes somos insanos, mas quem se aventura a passar por cima com o trator em qualquer lugar que pretenda especular, sem levar em consideração as minas, a existência do que há de específico, o que é? A aversão política e econômica é menos ao projeto arquitetônico do Shopping (é até boa para o que pretende: capitalizar, pode ser construido em qualquer lugar) do que à maneira cega com que se quer implantar a partir desta torre do tamanho do Banespa um domínio feudal privado. Na carta magna procura-se harmonizar-se os direitos e não esmagá-los. Artigo 5º, XXIII

8 – A inépcia no caso é a falta de capacidade intelectual, cultural escondida no formalismo jurisdicista, totalmente inadequada a decifrar a Justiça numa causa eminentemente cultural de lógica eco-lógica que fala a língua da arte.

9 – A arquitetura é uma arte mais do que uma “técnica”. Em se tratando de um centro cultural, somente pode ser discutida a partir de critérios públicos, estéticos, sociais, como exaustivamente tentei explicar no documento, pedindo inclusive a palavra solta de um dos maiores arquitetos brasileiros: Paulo Mendes da Rocha, autor do projeto “Ágora” para o entorno do Oficina. Paulo recusa-se a participar de um entendimento que parta de uma visão unilateral de milimetragem. No documento de Dr.Terra penso que não foi entendida a determinação do Promotor que visava um entendimento baseado na legislação do Tombamento, e na defesa do meio ambiente. Não ví no projeto do Shopping nada que possa sequer mencionar a mínima preocupação com este aspecto legal.