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Tréplica para o Grupo Sílvio Santos (parte IV)

Tréplica para o Grupo Sílvio Santos (parte IV)

10 – Infelizmente o documento que redigi, não encontrou no primeiro momento, esforço para ser compreendido. No centenário de “Os Sertões”, o grande livro brasileiro, poderíamos encontrar uma via para nos entendermos através de um trabalho prático aqui e agora no quarteirão tal qual está. Não ponho “pá-de-cal” em nada. Não sou coveiro. Fiz uma proposta, uma simples proposta que foi julgada indecorosa e nem sequer citada no documento. Escandalizou em um primeiro momento meus queridos algozes impotentes até agora de dar uma réplica à altura da situação. Não tive o talento ainda de ser claro, nem encontrei talento, boa-fé nos meus contendores para o início de uma compreensão produtiva entre o Oficina e o Grupo Silvio Santos. Jamais me veio a mente que uma simples proposta de trabalho conjunto pudesse provocar uma reação tão grosseira, brutal, autoritária, tanto no primeiro documento que foi divulgado como nota oficial do Grupo Silvio Santos assinado pelo sr. Carlos Brickman, como pelo que atualmente respondo. Um muro e uma muralha de comunicação, mas o muro tem um furo. Um buraco.

11 – Nesse item há clara demonstração do horror ao “palco público”, à democracia e ao teatro. O não respeito e atencão a lei do entorno faz-se com que se perca a oportunidade para tratar uma questão de direito cultural de uma maneira realmente nobre e civilizada. Esse encontro das partes, promovido pelos promotores do meio ambiente, sempre foi enriquecedor, agradável e clarificador, mesmo quando fiquei chocado com a dificuldade que tem o Grupo Silvio Santos de entender o outro, a cidadania além da mercadoria. Não entendo a concepção irada e farisaíca que diz que não respeito a justiça porque quero exatamente discussão aberta, pública e com arte. Sou formado em direito na Faculdade do Largo São Francisco e por paixão-adoração a Justica Justa de Xangô me dediquei ao Teatro. Como artista que compreende a advocacia sei que esta polêmica não para aí. Muitas águas vão rolar sob o signo da justiça. Por isso respondo aos itens ao nome da iluminação da razão, das muitas razões que fazem da vida riqueza cultural. As leis do meio ambiente existem, fiquei sabendo por Euclides da Cunha, desde 1713 e visavam “a severa proibição do corte das florestas”, pra impedir a seca. Hoje as próprias hecatombes que a não observação a estas leis provocou na economia geral da vida, criou a consciência no mundo, que elas são hoje o fundamento das esperanças de sobrevivência da Terra. Oficina nesta Luta está ensaiando “Os Sertões” que jogam tanta luz nesta questão. Na sua época ele concluiu o livro dizendo não haver alertadores, para os crimes das nacionalidades. Hoje temos. Euclides tornou-se este alertador. O denunciador no seu livro de um crime, um holocausto. Cem anos depois, sua lembrança viva fará com que este crime no coração urbano do Bixiga querido, não seja consumado. Que São Paulo tenha sobre o Martírio da Terra esta vitória do Meio Ambiente.

Evoé!

São Paulo, 5 de março de 2002.

José Celso Martinez Corrêa

Merda