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Universidade Antropófaga Brazyleira

Universidade Antropófaga Brazyleira

Por Zé Celso Martinez Correa

Um Teatro que se transforma a medida que se descobre necessita de constante estudo e formação de outra mentalidade teatral, libertada da condição de refém do que se classifica como gosto da burguesia, ou mesmo da pequena burguesia, ou do povo, enfim, de qualquer classificação de classes e gênero teatral. O Teatro deve interessar a todos, além de suas máscaras sociais, étnicas, de idade, religiosas… Índios, desempregados, empregados, crianças, velhos, adultos, cultos, incultos, eruditos, pops, bregas, etc…

O Teatro é justamente o ponto de encontro do corpo a corpo da humanidade.
Um Teatro novo precisa ser defendido por idéias novas. Um teatro que não ambiciona ser um espelho da sociedade mas, sim, um agente criador com essa sociedade de uma outra civilização, precisa estudar e ao mesmo tempo ser uma fonte de estudos múltiplos.
As escolas de Teatro antigas tinham a influência do teatro de “estilos” e acreditavam somente no teatro do Hemisfério Norte. Ensinava-se que o teatro brasileiro começou com Anchieta catequizando os índios brazileyros. É o contrário. Os índios comeram os padres e criaram outra cultura. Os índios, os africanos, já tinham um teatro ligado à vida, à feitiçaria, à caça, à pesca, à colheita, e Anchieta trouxe o teatro fazedor de cabeça, “educador”, colonizador, que era muito forte na Europa, mas aqui, tinha que ser comido ou morríamos como civilização.

E as escolas antigas reproduziam, macaqueavam, impostavam, despopularizavam o corpo do ator, que ficava cerebral, duro, careta. No século XX, o teatro russo começou a mexer no teatro “representado”, “declamado”, ligou-se ao animismo da cultura Eslava, descobriu-se o insconsciente do ator, a derrubada da quarta parede pela energia que devia pegar toda sala como fazia Cacilda Becker e não ficar somente no palco.
Pois as escolas até agora ficam no palco. Pior. Passaram para a telinha de TV, mil cursos de teatro que são pura picaretagem e preparam mal o ator até para serem o rebanho das novelas.

Há necessidade de um outro princípio para as escolas de Teatro. Se o teatro é a poética, o estudo, a vivência da arte do trabalho do poder humano, além do humano, diante da estrutura coagulada, morta, e de seus personagens covers, mascarados, precisa sair do cursinho de Teatro e encarar o trabalho de produzir uma civilização que dê passagem a toda a energia humana criada.

Tudo que é desperdiçado pela exclusão dos sistemas inventados a partir da negação do poder da vida presente passa a ser o objeto principal do estudo do teatro.

A Formação do teatro tem de ser universitária no sentido medieval do termo, não no mercantilista e carreirista atual. Universidade como núcleo vivo e livre que une diversos saberes, para que possa o Teatro ser em si, uma Universidade de Vida.

É preciso apreender todas as artes populares, seus segredos, suas religiões, seus gestos, seus sambas, seus maracatus, suas gingas, suas mágicas, suas lutas, tudo que dê passagem no corpo a energias que levem a um teatro cada vez mais dança, mais ritmo, mais música, mais interferência na energia ambiente, capaz de transmutar multidões. Aprender a trabalhar toda tecnologia táctil, pois teatro é táctil, nós vivemos uma sociedade acionada pelo tato, pelos dátilos, a cultura virtual é digital, de dedo, de energia que transmite o fogo que sai das pontas dos dedos, vem do corpo e é preciso apreender o que nenhuma escola ensina, a não ser a da vida vivida na arte, no próprio aprendizado da vida, na delicadeza de seu descabaçamento, no trabalho comum de Montagem, de vivência de uma experiência humana, de um grande trabalho coletivo visando a expresssão de uma metáfora cheia de vida que nos transporte de um estágio vital a outro, de uma sociedade a outra, de uma civilizacão à outra. Isso se apreende juntando todas as idades, todas as tecnologias, todas as religiões, todas as feitiçarias e nenhuma IGREJA.

É preciso o lugar onde o pensamento universitário e científico possa livremente cruzar-se com o pensamento corporal, com a razão emotiva, cardíaca, erótica, intuitiva e de suas formas. A educação que a perversão da arte traz é muito mais rápida, viaja na velocidade do som e do amor.

A energia humana no tempo e na historia é reciclagem. Estamos sempre entre vivos, que herdaram vida de outros vivos que depois morreram, mas deixaram vida no que tocaram, no que digitaram. Essa escola pode ter um espaço para se formar atores de teatro de Estádio, e pessoas para atuar na vida, não importa onde. Ela deve ser o organismo de evolução dessa linha de cultura e teatro que não é hegemônica, ao contrário, e entretanto é a que pode fazer o Teatro devolver-se à sua origem popular, à festa, à rave incorporada.

Pode ser imediata a sua ocupação que passa a inventar seus próprios cursos, contracenando com o MEC para encontrar sua forma universal não necessariamente republicana, nem monarquista, nem comunista… a se inventar.


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