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Vida e Morte de um Teatro chamado Oficina

Vida e Morte de um Teatro chamado Oficina

 

Texto integral:

*50 anos Teatro OficinaUzynaUzona SamPã*

Ontem ganhei de presente um livro da Coleção Aplauso da minha iniciadora no Teatro Maria della Costa escrito recentemente. Nesta noite calorenta li o “Fim do Teatro Oficina”, e no final do texto “depois de sua volta (do exílio) em 1978, o que resta do Oficina, atende pelo nome solitário de José Celso Martinez Corrêa.”

Desde nosso nascimento nossa morte foi sempre decretada. Conselheiros do Iphan que representam São Paulo, a maioria dos defensores do Patrimônio, insistem que o Teatro Oficina atual, inaugurado por “Ham-let” em 1993, o Canto do Cisne de uma das maiores arquitetas do século XX, Lina Bardi, concluído pelo arquiteto Edson Elito, é ilegal, não existe. São Paulo tem um lado assim maluco. Hoje o entorno tombado do teatro está sendo todo destruído, os prédios do próprio Grupo Silvio Santos tombam num espetáculo monumental, réplica da Faixa de Gaza. Estamos condenados mais uma vez ao desaparecimento.

Justamente neste momento em que a Academia de Filmes, produtora paulistana de Tadeu Jungle e a Associação Teat(r)o OficinaUzynaUzona lançam 4 DVD’s de 4 grandes espetáculos nossos pela Trama, distribuidora paulistana, com legendas em inglês e espanhol para o mercado internacional, nada mais nada menos que plugando o Teatro na Era Cyber.

Essse 50 anos nasceram de uma luta tenaz movida a felicidade guerreira, para impedir que o que chamo de hate groups, “grupos de ódio” ao Oficina, tivessem suas profecias apocalípticas, quanto a nós, confirmadas.

Oficina tem minha idade: 72 anos, todos feriados de natal até Carnaval, os dos frios de julho na Travessa Brigadeiro Luis Antonio, hoje com nome mais lindo e justo, Travessa Adoniran Barbosa, eu vivi desde um ano de idade diante desta Fronteira, a Travessa, uma cobrinha que começava numa casa Evangélica Americana, The Crysto Cientific Church, e terminava dando na Fronteira da Rua Come Cabeça – Rua Jaceguay, em Tupy.

-“Lá só tem Cabeça de Porco, corticeiro, cuidado, não vá nunca sozinho à Padaria.”

Era a Faixa de Gaza Africana de São Paulo, fim dos anos 30, quando nascia a internacional Africana do Tambor: a adorada “Vai Vai”.

Um carrinho com uma cabra passava pela rua Ricardo Batista, Oswaldo de Andrade descia de pijama listrado para beber seu leite, depois ía pra Travessa e minha vó Vitória

me presentava com o leite paradisíaco daquela mesma cabra.

Eu já morava nas pensões do outro lado da Brigadeiro e ía de bonde aberto à Faculdade do Largo São Francisco, e Joana d’Arc baixou no 4º Centenário e deu pra São Paulo um Teatro, Brecheret fez uma estátua. Eu já com meus colegas, estudantes avessos do direito, que já eramos Oficina e não sabíamos, fomos assitir, a preços especiais para estudantes, na Rua Paim, a luminosa Epifania do Teatro Contemporâneo Brasileiro nas pernas, rosto, olhos, corpo, voz, talento da artista Maria della Costa. A mulher mais linda que vi em cena nos meus 72 anos. Nossa vida mudou, na mesma noite fomos na rua Major Diogo ver a igualmente deslumbrante Tônia Carrero fazendo “Cândida” de Bernard Shaw, no TBC. E encantados fomos comer no Gigeto, ponto de encontro de todas estrelas de um céu infernal terreno: de música, revista, tv, teatro, cinema, música, jornalismo, filosofia, vinhos, massas, servidas por Ganimedes: garçons divinos, retaurante cercado nos arredores de flores, odores, bons, maus, pobreza, miséria, senzalas, putas e putos. De lá pras boites para ouvir Maysa, Isaurinha, Dalva de Oliveira, Aracy de Almeida, Jonny Alf, Dick Farney. Surgia o Bixiga Cosmopolita, falando todas as línguas, a das ruas, dos sambistas, das cantinas, dos artistas de cinema, teatro, televisão, d(o)as macumbeira(o)s, dos terreiros de umbanda e candomblé. Multidões de toda cidade acorriam para lá, misturando-se no perigoso Umbigo do Bixiga Coração Afro-Índio de São Paulo que ía deixando de ser obrigada a ter este nome de um santo tão chato. Hoje eu a chamo de SamPã, quer dizer São Tudo. A cidade nos empurrava justamente a um Teatro Espírita Mesa Branca: “Novos Comediantes”, na frente da casa de meu avô naquela Travessa, de meu 1º ano de vida.

Naquele tempo o teatro espírita não tinha público, era chamado “Teatro Caveira de Burro” porque ninguém ía. E não ía por que lá estavam enterrados os fundamentos de Libertas, ex-escrava alforriada que ganhou de seu ex-proprietário a “Chacara do Bixiga que ía até a Avenida Paulista. Há documentos, mapas, de herdeiros descendentes de Libertas que durante o início do Movimento Negro trouxeram à tona a grilagem daquelas terras, a expulsão de seus donos para as cabeças de porco.

Fizemos 3 dias de apresentações de A Ponte” de Carlos Queiroz Telles e o “Vento Forte para um Papagaio Subir” de minha autoria, e nascia dia 28 de outubro de 1958 o Grupo dos Rapazes e moças da Bigorna: o Oficina.

Nós fomos conquistados por aqueles 9 metros por 50, nos apaixonamos pela “Caveira de Burrode Libertas, pois tivemos um público imenso naqueles 3 dias, que nos pariu pra sempre. Voltamos lá com “A Engrenagem” de Sartre. O escritor foi até Araraquara ligar toda nossa geração a todos movimentos, camponeses, operários, intelectuais, populares, revolucionários, Sartre vinha trazendo o Furacão de Cuba. Era Guerra Fria, nós queríamos tirar proveito dela, de seus ventos para o chamado então 3º Mundo, e não queríamos ismos, nem no que é comum, nem no capital. Vínhamos do suicídio de Getúlio, fomos inaugurados nos 50 anos em 5 de JK.

Minha geracão queria Reformas de Base, o Petróleo para nós, e uma Cultura, não brasileira, mas criadora de uma nação, vinda das percepções de nosso corpo, inpirados pela liberdade, que nos dava vertigens.

A direita moralista e caspenta colocou Jânio Quadros por alguns dias na presidência. Inauguramos no dia de Omulú, 16 de agosto, o Teatro Oficina, no mesmo da caveira de burro, A Vida Impressa em Dólar”, nossa 1ª peça profissional, que foi proibida e o Teatro fechado no dia 17 de agosto de 1961.

Janio já tinha proibido o Bikini e o Lança Perfume. Vacilou, quis dar um golpe, renunciou e o golpe gorou. Ele teve de sair de vez, e nós entramos em cartaz, no dia da saída dele, 25 de agosto para somente pararmos, com a Invasão do Teatro pela Polícia, em 1974 e Prisão, Tortura, e Exílio.

Mas antes diso, em SamPã, renasceu o Phoder do Teatro.Pequenos Burgueses” teve mais de 100 apresentações porque esta classe, a nossa, tinha dentro de si o prazer de suicidar-se para segundo nascimento revolucionário. E vinham multidões de jovens e de burgueses progressistas, brasileiros judeus, árabes ricos de esquerda, público das duas sessões mais caras dos sábados. Aliás trabalhávamos de terça a domingo com 8 sessões semanais, O Teatro de Arena, na rua Teodoro Baima, trazia a inquietação política da esquerda, de querer transmutar-se com a Senzala, o povo, o “Grupo Decisão”, dirigido por Abujamra, recém chegado da renovaçao brechtiana do Teatro Europeu, trazia já uma revolução estética.

Com os vários teatros gerados pelo TBC: Bela Vista,Nidia Lycia e Sérgio Cardoso, Teatro Federação , a divina dama elétrica Cacilda Becker e Walmor Chagas, Sandro Polônio e Maria della Costa, nós todos éramos anarquias, repúblicas estéticas independentes, produzindo arte vinda de nossos corpos, interpretadas por nós, diferentemente, numa biodiversidade extraordinária. O Golpe de 1964 tentou fechar os teatros. Mas Cacilda Becker e Maria della Costa, vestidas como deusas fashion, descendo de um Rolls Royce, lideraram uma procissão de nós todos ao imundo Dops, com toda Mídia, e conseguimos a reabertura dos Teatros, mas os grupos paramilitares começaram a aparecer, e queimaram a TV Bandeirantes, o Teatro Oficina, e ameaçavam todos os teatros. Mesmo assim em um ano e meio foi erguido o Oficina II, de Flávio Império e Rodrigo Lefévre, inagurado com a retomada do elo perdido com a Antropofagia, trazida pela montagem de O Rei daVela”, do Poeta em então completo ostracismo, Oswald de Andrade. Em l967, antes do 68 no mundo: o movimento da Tropicália trouxe no Teatro a revolução teológica de Zé Vicente em “Santidade (proibida por Costa e Silva com o texto na mão diante das Câmeras) e o pra lá de português eloquente de Plínio Marcos na “Navalha na Carne”, por sinal estreado no Oficina, e a sofisticação tragicômica de Antônio Bivar. No Brasil já em 1977 estava a “Terra em Transe”, captada no cinema-poema de Glauber, o quadro deixava a parede e virava parangolé pro corpo dançar, e tomava o espaço de instalações da Tropicália. Caetano fez o hino com mesmo nome, neste momento e Chico o “Roda Viva, Roteiro Musical perceptivo das armadilhas de sua própria experiência de Pop Star, que montei com o coro grego que ressurgiu das ruas, abandonando o Palco Italiano, expandindo-se por todo espaço e tocando pela primeira vez no corpo do público. Um ano antes de “Hair” e dois de “Dionysios 69em Nova York. Vieram os ataques dos grupos paramilitares prenunciando o AI-5, da Operacão Quadrado Morto planejada em mais de 50 sessões de “Roda Viva, culminando com a quebra total do Teatro Galpão de Ruth Escobar, e a agressão física aos atores e atrizes. Fato que repetiu-se em Porto Alegre, mas desta vez, realizado pelo próprio Exército Brasileiro. Quando os atores feridos, sangrando, vindos de POA, desceram do ônibus em que foram colocados à força pelas Forças Armadas, nas mão dos gorilas, percebi que aquele caminho estava fechado.

Estreamos no dia do AI-5 Galileu Galilei, atrás das grades, sem podermos sequer olhar o público. Veio o Minhocão, que como um Muro de Berlim, dividiu o Bixiga em dois. A casa de meu avô em frente ao Teatro foi desapropriada para sua construção e as árvores florestais da Jaceguay derrubadas.

Lina Bardi veio fazer “Selva das Cidades” do Jovem Brecht, com o material dos escombros deixados pelo Elevado Costa e Silva, num Ringue de Boxe, na cena ironicamente chamada de “Área Verde” e coloca uma meia dúzia de troncos enormes das árvores abatidas, presos a fios de aço que no fim da cena desmoronam. Caetano compõe Sampa e celebra por esta cena, a Oficina de Florestas, com que batizamos hoje toda a área florestal que queremos no entorno do Oficina e em todo Bixiga. Depois de várias destruições e lixo acumulado, na última cena da peça quando as personagens interpretadas por Renato Borghi e Othon Bastos encontram-se para um “qual é” (Expressão da época, qual é a sua?) Lina faz com que arranquem as própias tábuas do ringue até atingir a terra da Jaceguay 520. E ela disseOs Sertões da Jaceguay 520 são aqui”. Nascia a montagem das 27 horas de Os Sertões” e o Projeto da Área Pública do “Anhangabaú da Feliz Cidade para reconstruir o Bixiga, destruído pelo Minhocão e a especulação imobiliária que começou a comprar tudo e derrubar todas as relíquias tombadas do Bairro.

A Companhia Teatro Oficina Ltda., um cordão de ouro de amizades douradas, no Reveillon (Acordemos) de 72-73 rompe seu Cordão de Ouro mas reconstitui-se imediatamente em Oficina Samba 5º Tempo, juntando os jornalistas do Ex Bondinho, e passa a viver no Teatro em Comunidade, pois somente nelas poderia haver liberdade. Eram os anos de chumbo grosso da nada branda Ditadura.

Gracias Señor totalmente brotando a cada noite dupla, com a criação do público, retomando o elo do Coro de Roda Viva” foi impedido por exigência de uma junta de 40 censores da PF de SP, ameaçando demitirem-se em bloco, caso a PF de Bralia que estudava nossos métodos de hipnotismo chinês, não tirasse imediatamente a peça de cartaz.

Saiu. E entramos com as memoráveis sessões de REVOLISON, assembléia permanente que juntou todo Rock nascente de São Paulo nas noitadas das 19hs até as madrugadas de 6 horas, em que As Coristas do Inferno” vendiam comida natural e docinhos. Paridas no “Casamento Pequeno Buerguês” de Bert Brecht que meu irmão montara com sua Cia. Pão e Circo no porão do Oficina mas que com a proibição de Gracias Señor subia ao Palco Principal do Teatro.

Veio o Exílio e nosso retorno no fim dos 80, já passando nossas poltronas para o sindicato do Vicentinho no memorável 1º de maio de 1980, coincidente com a morte do carrasco do Dops Delegado Fleury e nascimento epifânico do ABC e de Lula. Queríamos que o Teatro virasse rua, “teatro pé na estrada” na definição de Lina. Não suportávamos mais o Beco sem saída em que estamos metidos até hoje, que nem permitia nossa fuga nas épocas das invasões policiais no Teatro. Era a abertura, tinha que começar por nós. Foi a fase subterrânea mais gloriosa do Teatro. Vieram os Nordestinos de SamPã, corifeados pelo grande parceiro de Jackson do Pandeiro, Edgard Ferreira e Sandy Celeste, Billie Hollyday Cangaceira; o Picasso Surubim, Feliciano da Paixão, Cirandeiro; Zuria, a Cozinheira da Cantina Cabaret, que faziam o núcleo “Os Sertões”. Jovens vindos de todo o Brasil criaram o núcleo “Bacantes”, cineastas, video-artistas, criaram o núcleo “O Homem e o Cavalo” e um cleo de Memória criava o Arquivo Oficina 20 anos, hoje na Unicamp. Era a reengenharia do Oficina em Associação Teat(r)o OficinaUynaUzona, em que todos núcleos misturavam-se bailando no “Forró do Avanço. Conquistamos o Tombamento do Teatro e seu entorno de 300 metros, onde estava já o Estacionamento do Baú da Felicidade, pelo Condephaat de Aziz Ab’Saber, principalmente para não sermos engolidos pelo Grupo SS, com Laudo Técnico de Flávio Império, arquiteto do Teatro Oficina II, que recomendava o não congelamento de seu espaço defendendo que pertecíamos, ele inclusive, à uma geração que inventava para cada peça uma forma de Teatro Novo. A Secretaria da Cultura estava nas mãos de um artista Bacante-Bachiano, o pianista João Carlos Martins. A Desapropriação do Oficina, para não ser engolido pelo Baú, que continuava querendo o espaço, conquistamos com Franco Montoro e a elite do PSDB, seu secretariado de Governo que incluía Serra que hoje dá uma de Pilatos e nos entrega à especulação imobiliária do Grupo SS pra sermos exterminados.

Conquistamos a reconstrução do Oficina em Terreiro Eletrônico, inaugurado com o sucesso das 6 horas do “Ham-let” de Shakespeare protagonizado por nosso Dionisios, Boca de Ouro, Walmor em Cacilda!, Euclides da Cunha, Damian em Os Bandidos de Schiller: Marcelo Drummond. Veio todo repertório vitorioso nesses últimos 16 anos. Bete Coelho, Iara Jamra, Ligia Cortez, Giulia Gam, Djin Sganzerla, vieram se juntar as estrelas aqui nascida, Sylvia Prado, a divina Guigui do Boca, a Diva Ariadne Brasilha de “Os Bandidos”, Camila Mota, a Diodorim de “Os Sertões” e a Celeste rodrigueana de “Boca de Ouro”. Todas peças deste 1º período agora ao alcance te todos nos Dvds. Veio o ápice nunca imaginado nem por nós de “Os Sertões”, 5 peças de 6hs cada, com o teatro explodindo gente, e também gravado pra serem lançados em DVD’s no Centenário da Morte de Euclides da Cunha.

O ano passado comemoramos nosso cinquentário retornando ao início, ao “Vento Forte para um Papagaio Subir” em que entrei como em Morangos Silvetres de Bergman para contracenar com os atores que interpretavam meu 2º nascimento como artista. “Taniko” um nô bossa nova transZênico, festejando os 100 anos da 1ª Imigracão Japonesa, vinda no navio Kasato Maru. Encenamos o Manifesto Antropófago comemorando seus 80 anos e constituindo-o em estatuto de nossa Universidade Antropófoga já germinando no BIXIGÃO, nosso trabalho super bem sucedido, exemplo para a FEBEM, com as crianças do Bixiga. Apresentamos Luis Antônio dramaturgo encenando sua primeira peça “Cypriano y Chantalã” e “Os Bandidos” de Schiller, em versos, com uma Banda Paradisíaca, um tratamento áudiovisual revolucionário, onde o terreiro eletrônico epifanizou-se de vez. E retornou-se ao verbo poético ritmico como Cacilda Becker em Mary Stuart.

No dia do cinquentenário,o publico trocava o ingresso por presentes, vinhos, flores para paticipar de nosso Rito de LáBrinco50, terminando numa Rave de Cyber Teat(r)o, e invadiu o Oficina na manhã do dia seguinte. Os paulistanos de todas origens invadiram gostosamente o Oficina e toda sua Pista, nesta noite-madrugada, e mal havia espaço para nossa atuação.

No ano da Crise, agora, remontamos “Bacantes” e queremos passar nosso espaço por um ano, para as Cias, irmãs poderosas nascidas do Movimento Arte contra a Barbárie que conquistou a Lei Municipal de Fomento para fazer brotar em nossa cidade as mil flores de grupos auto geridos, auto interpretados, que fazem a Potência Cultural de SamPã de hoje, mesmo ainda não totalmente percebida.

Queremos sair viajando com nosso repertório mais recente pelo Brasil e Mundo no Carro Naval da marinha Brasileira levando o “FestivalOficinaUzynaUzona 50” mas de olho sempre pela nossa REEXISTÊNCIA a nossa não destruição pelo Shopping, que conseguimos impedir de ser construído há 29 anos, ou os 720 apartamentos que a especulação imobiliária do Grupo SS em plena Crise mundial da Especulação insiste em erguer depois dos escombros que estão promovendo.

Tenho certeza que mesmo com essa relação de ódio e amor de São Paulo por SamPã e por nós do OficinaUzynaUzona, vai acontecer a reinvenção do Bixiga com o Anhangabaú da Feliz Cidade, com uma Ágora do Bixiga, reinterpretando o Minhocão na arquitetura de Paulo Mendes da Rocha como elo desta reconstrução, ligando o Teat(r)o de Estádio à oca grega rebolante para 5000 pessoas e à Universidade Antropófaga, de arquitetura urbanística de João Batispta Corrêa e Beatriz Pimenta Corrêa à Oficina de Florestas, a Coroa Verde que nos tempos do Change, trará para SamPã seu Pelourinho, sua Klapa, sua Greenwich Village.

No exterior ou no Brasil, em Sampã, onde eu estiver estarei lutando para dar de volta ao Bixiga tudo que esse bairro me deu, e tenho certeza que todos os paulistanos do mundo inteiro farão como eu, inclusive Silvio Santos. Esse ano ainda retornamos em nossa Pista com a 2ª parte da Tetralogia da grande atriz desta cidade Cacilda Becker: Cacilda !!

José Celso Martinez Corrêa

Especial para a revista da Folha

SamPã, 3 de março de 2009

HUMOR AMOR MERDA